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Contando as bençãos

31 julho, 2011

Bom, já tomei banho, ouvi Bach, comi bolo e,  em especial, por ser domingo, fui a igreja, porque era um prazer para meu pai e assim aprendi com ele, as boas coisas devem ser copiadas. Espero que os netos de Norma e Lysias descubram o prazer dessas coisas, pelo menos em ir a igreja.

Mas hoje é aniversário do Lysias, embora ele esteja com Deus, não podemos esquecer os presentes. Sei que onde ele está tem coisa muito melhor que internet, mas faço uma reduzidíssima lista para, os que como eu, forem pegos de surpresa pelas saudades, e ao invés de oferecer lágrimas prefiram contar as bênçãos, todas elas, frutos de uma pequena parte do que aprendemos com você, pai.

Gil, temporariamente na Força de Paz da ONU, vai honrando e sendo honrado, como oficial da Marinha, além de todas as medalhas recebidas por seus méritos, tem a mais valiosa, é o caçula do Cmte Lysias, Mateus poderia estar na universidade, mas ainda é novo pra isso, sobra cabelo e inteligência.

Fernando luta incansavelmente, não tem tempo feio nem mar nível 12 que o faça desanimar no dia a dia, além do mais Maria Fernanda gosta muito da Escola Dominical. Natasha está formada e Bernardo na faculdade.

Lilian aposentou, mas só da exploração que vinha sendo submetida na escola, continua ativa e sagaz. Os joãos bem sabem que nada escapa dos olhos azuis, memória parecida com a tia Nydia, na igreja sempre presente.

Lucia mobiliza as crianças para estudo bíblico e também descobriu a fórmula do tempo, o dia dela tem 33 horas. Elisa e Cecília estão no mesmo caminho cada uma brilha na sua constelação.

Norma, nossa mãe!!! É uma Mulher da Gama, vai caminhando, o  Brasil ficou pequeno para seus passos, mas é só um detalhe não importa em que pais esteja, alias hoje esta na Suécia, espalha o bom perfume dos que são fiéis a Deus.

Ahhhh! sim, existe muitas tribulações que nos cercam, mas tenho certeza que cada um dos seus filhos tem lembranças sua que nos ajudam no momento necessário. De certo mesmo, posso dizer que cada dia que passa fica mais próximo do dia em que todos nós estaremos juntos numa festa impossível de descrever, que pode até demorar, mas temos lugar confirmado, graças ao Deus em que cremos.

Por enquanto,  continuarei contando as bênçãos, hoje foi mais um bom dia….Feliz aniversário Lysias.

Natal – Uma ótima receita

19 novembro, 2009
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Em 2007 escrevi que meu Natal era “meio cheio”.

Desde então a intensidade da maldade, da loucura e da tristeza na humanidade não diminuíu, as igrejas crescem em número, mas desconfio que Cristo não tem sido convidado para fazer parte delas. As pessoas queridas continuam morrendo, e numa época em que os encontros com nossos queridos sempre aconteciam é inevitável que sejamos tomados por momentos de saudades. Ainda assim, continuo com a mesma opinião.

Cada vez é maior o número de pessoas que não conseguem superar a sensação de Natal “meio vazio”, e com isso as novas gerações vão adquirindo sensações cruéis, falsas e distorcidas dessa festa tão especial.

Para muitos, o Natal passa a ser um dia triste, sem brilho, sem sabor e sem memória. Um dia para esquecer de um “deus” omisso e ficar de mal com ele, pelo menos até a tristeza ir embora…

Nem todos são assim, é verdade, alguns, para reagir a esse sentimento partem para festa e muita festa, com excessos, desde que venha para anestesiar seus corações, que mal tem?

Alguma coisa está dando errado… O que seria? Falta de professores, maus professores, maus alunos ou os motivos e os ingredientes estão errados? Sei lá… Mas do jeito que vai indo é uma receita certa para a amargura, a vida vazia, a morte da esperança.

Aprendi a comemorar o nascimento de Cristo com pessoas que enfrentaram dificuldades que minha geração não precisou enfrentar, mas nunca passaram uma imagem distorcida da festa.

A receita que eles deixaram tem ótimos ingredientes: músicas de Natal, história do Natal, luzes de Natal, árvore de Natal, gosto de Natal, alegria e prazer de receber pessoas em suas casas, com ou sem presentes, mas sempre com Cristo como o motivo maior da festa. Meus professores foram os melhores, meus pais, Lysias e Norma. Tive também a felicidade de conhecer alguns de seus professores, vó Elaine, vó Aurora e tia Nydia. Tem mais ainda, mas através desses citados faço uma homenagem a todos. Obrigado por todos os Natais emocionantes!!!

Espero ensinar da mesma forma que aprendi.

Ainda bem que está chegando o Natal, de novo. Leia mais…

Filhos do trovão

25 setembro, 2009

Os apóstolos  João e Tiago, eram irmãos, foram conhecidos inicialmente como “filhos do trovão”. Em pelo menos uma das passagens registradas na Bíblia, foi registrado a indignação deles com os samaritanos e o desejo de “fritar” os infiéis. Acredito que muitas outras situações ocorreram para justificar o apelido que esses irmãos receberam. Tiago e João se transformaram ao longo da caminhada com Jesus e posterirormente na pregação do Evangelho. Mas … deixaram imitatores, principalmente dos “trovões”. Em algum momento foi fundado a Legião dos Filhos do Trovão (FT).

Ah!!! esses imitadores, são muitos e militam em várias frentes de batalha, alguns se especializam em perseguir irmãos e “primos” na fé, pois parecem ter mais prazer nessa briga do que combater infiéis declarados. Outros, incansavelmente, combatem tanto os escribas, fariseus como também os cristãos.

Gente de muito valor fez parte do rol de membros dessa Legião de FT, mesmo que apenas como “membro temporário” ou “convidado especial”, o que não deve, nem deveria ser motivo de desmerecermos os frutos de seu ministério.

Ainda na época de João e Tiago, tivemos os episódios de Paulo x Pedro, Paulo x Barnabé. Ao longo da história muitos outros casos, mas tanto Paulo como Pedro se redimiram em suas cartas, mas nunca mais ouvimos falar de Barnabé, que pena…

No Brasil tivemos, logo no início do trabalho missionário,  rusgas e críticas ácidas de Kalley aos trabalhos de Simonton e Blackford, os batista em Recife enfrentaram problemas que se propagaram para todo país, e  já na virada do sec. XX, argumentos “apaixonados” entre os presbiterianos, os batistas, os congregacionais, os metodistas, etc.. causaram divisões profundas e mágoas, até hoje, mal cicatrizadas. Apesar do homen a semente do evangelho cresceu e multiplicou, pois era vontade do Espírito Santo e não de A, B ou XYZ.

Hoje em dia a história não mudou, a Legião dos FT continua ativa, tudo serve de motivo para invocar fogo santo,  uns querem queimar Bíblias e seus dedicados tradutores, outros querem queimar músicos e tem os que querem queimar os modernos samaritanos, aqueles que são débeis na fé e buscam misericórdia na casa de Deus, mas encontram uma tropa de elite nas portas das igrejas. Tempos difíceis… Meu consolo é que um dos filhos do trovão ganhou novo apelido na história do Cristianismo, aconteceu com João, o caçula dos apóstolos, foi chamando de Apóstolo do Amor.

Se aconteceu com ele pode acontecer com a Legião do FT, e mesmo que não aconteça, apesar dos filhos do trovão a semente florecerá, porque o dono da seara é o Senhor nosso Deus.

Para terminar, um alerta aos que queimam “fogo estranho” no altar do Senhor, nada escapa ao seu olhar. Esse texto não deve ser usado contra aos que defendem a sã doutrina, aos que combatem os lobos disfarçados de ovelhas e aos que enfrentam os modernos fariseus.

“se possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens;” Rm 12.18

Efeito Dominó

6 agosto, 2009

Muitos vídeos tem sido produzido com peças de dominó que, ao serem derrubadas, provocam uma sequência espantosa de eventos em paralelo. Inspirado nesses vídeos ratreie alguns eventos(com causas direta) de evangelismo no Brasil até John Wycliff, 1330-1384, que produziu a primeira Bíblia em inglês.

John Wyclif, Sec XIV e Jan Hus, Sec XV, influenciaram a Igreja da Moravia (região da Tchecoslováquia). Os moravianos  iniciaram o movimento missionário da igreja reformada no sec XVII. No Sec. XIII, iniciaram em 27 de agosto de 1727,  um vigília de oração de 24 h, ININTERRUPTAS, que durou mais de 100 anos.

Os moravianos influenciaram fortemente o trabalho dos irmãos Wesley, fundadores da igreja Metodista. As histórias das missões moravianas publicadas em livreto foram decisivas na criação da Sociedade Missionária Batista, 2/10 1792, por William Carey, o sapateiro que foi missionário e tradutor da Bíblia na Índia.

William Carey, Batista:
– Trouxe grande impacto para Charles Simeon, Anglicano. Simeon em um de seus sermãos provocou em Henry Martin, Anglicano, a decisão de ser missionário. Martin traduziu a Biblia em vários idiomas, mas antes de iniciar sua viagem, no caminho para Índia, fez um pit-stop na Bahia e escreveu um extenso relatório sobre o Brasil, que vai chegar as mãos de Robert Kalley na década de 1850, através de James Fletcher. Kalley veio ao Brasil em 1855, convocou 3 famílias de madeirenses para vir ao Rio de Janeiro, iniciou o trabalho sistemático de colportagem de Bíblias no Brasil e fundou a Igreja Congregacional, a continuação dessa história nós já sabemos onde vai dar….
– Quando ainda estudante,  Charles Hodge, Presbiteriano, escreveu uma carta a seu irmão, contando como tinha ficado impressionado com o trabalho de William Carey em Serampore, Índia. Hodge foi professor de James Fletcher e Ashbel Simonton, Presbiterianos. Foi a pregação de Charles Hodge que provocou a decisão em Simonton de ser missionário ao invés de pastor. Fletcher, que havia sido capelão da marinha mercante no Brasil,  foi parceiro de Daniel Kidder, Metodista, nas viagens de norte a sul do Brasil. Os dois  foram pioneiros da “colportagem eventual” em nosso país. Simonton chegou em 1859 no Brasil e fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil. Essa história, também já sabemos onde vai dar…. Alias, não percam o filme (curta metragem, 20 min. em 35 mm) realizado pela Luz para o Caminho (LPC) sobre o Diário de Simonton.

Inicie hoje ainda o efeito dominó na divulgação do evangelho, você não tem idéia quantas histórias ainda vão ser contadas p0r causa disso…

Lysias 80 anos

31 julho, 2009

Meu pai dizia “Lysias é nome de filho de pastor”. Meu pai era filho de pastor, e que pastor!! Mas,..  foi mais que isso, deseja entre outras coisas “ser pai de gente”, e foi mais que isso, foi um presente para seus filhos e filhas.

Lembramos hoje que ele nasceu 80 anos atrás. Minha irmã escreveu sobre isso, e escreveu, e escreveu. Muito bem.

Foi sal para os que o conheceram, ajudou a espalhar o Evangelho, não só em algumas pregações, aulas da Escola Dominical,  ou como Gideão,  pois se empenhava em fazer todas essas coisas de forma especial, mas simplemente vivia como cristão, no temor ao nosso Deus. Tudo isso foi muito bom.

Termino com a parte final do texto da miha irmã Lilian:

“Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.” Salmo 126.3

De seus filhos: Lucia, Eduardo, Lilian, Fernando e Gilberto

”Narrai isto a vossos filhos, e vossos filhos o façam a seus filhos, e os filhos destes, à outra geração.” Joel 1.3

Para os que vieram depois:

Cecília e Rodrigo, Elisa

Ana Luisa, Eduardo

João Guilherme, João Filipe

Natasha, Isabela (in memoriam), Bernardo, Maria Fernanda

Isabella, Byron e Thomas, e Matheus

E vocês, o que têm feito do tempo e das oportunidades que tiveram até aqui?

20 março, 2009

Ufa….. !! Laptop novo, do antigo só sobrou o hd, para tirar o atraso vou reproduzir mais uma história, uma bem longa, mas começamos primeiro com o título.

“E vocês, o que têm feito do tempo e das oportunidades que tiveramaté aqui?”

Essa pergunta foi feita em 1941 pelo missionário Mirddin Thomas, na conferência anual da Aliança das Igrejas Evangélicas do Norte, em Barra do Corda/MA. Entre os presentes estava um jovem de 20 anos que viria a se tornar no Rev. Abdoral Fernandes da Silva. Seus pais tinham conhecido o evangelho através do ministério do médico e Rev. Perrin Smith, que sucedeu a João em Barra do Corda.

A história transcrita a seguir foi contada pelo Rev. Jader da Igreja Presbiterina de Recife, baseado no livro do Rev. Abdoral.

 

“O Aleijado foi muito longe!

Era assim que João Batista Pinheiro era chamado nos idos de 1800: “o aleijado”. Preservando tão-somente o aspecto histórico, o título desta pastoral procura transportar-nos para um dos momentos marcantes dos primórdios do nosso trabalho: de nosso meio o Senhor levantaria um homem simples e faria dele um grande missionário! Doença de bouba? De família com muitos filhos o menino João nasceu mirradinho, quase não se criando. Vivia em um pequeno sítio nas imediações de Barra do Corda-MA, em extrema pobreza, alimentando-se da terra, de biscates, da boa vontade dos mais abastados e também da reza, muita reza com pedidos à nossa senhora para que chovesse, para que alguém providenciasse algo, para que o pão chegasse à mesa.

Dias santos eram respeitados com rigor e os santos dos dias eram homenageados com os nomes nos filhos. O que o padre falava era ordem e o que Igreja dizia era o que se seguia. Mas aquele menino João, que muito pedia para ser curado das feridas que infestavam o seu corpo infantil, via o tempo passar sem ser atendido. Hora melhorava um pouco, hora pipocavam novas feridas. Tudo indicando ser a doença de bouba, infecção comum nos trópicos, forte à época principalmente entre desnutridos que viviam em condições precárias. Começava com erupções na pele. Chás, banhos e outras “medicinas populares” eram tentadas, algumas surtindo pálido efeito, muitas, não.

Quando jovem João sofria com feridas que chegavam a afetar até os ossos, decidiu: – Vou embora!

Ficou sabendo que em Fortaleza havia tratamento. Juntou o pouco que tinha, arrumou uma trouxinha com parcas roupas, pediu a bênção aos pais e partiu. Colocou um pedaço de madeira que ele mesmo seguia esculpindo e foi pela estrada, pedindo ajuda e espaço nos transportes de tração animal ou trem, comendo quando desse e o que dessem.

Assim o maranhense chegou à capital alencarina. Amputação. Não teve jeito. O tratamento além de caro era raro. A Medicina brasileira não estava apta para lidar com casos como aquele. Amputaram-lhe a perna. Quase morreu, mas não morreu. E ficou em Fortaleza, mendigando. Seu pedaço de madeira transformara-se em uma imagem de nossa senhora esculpida com canivete por suas ágeis mãos. Era seu costume pedir esmolas apresentando a imagem às pessoas, rogando bênçãos aos ofertantes. Aquela imagem o acompanhava e produzia conforto.

Seguia rezando e confiando no objeto da sua devoção. A essa altura as feridas já estavam presentes na perna que ficara. A agonia o afligia. Tudo coçava e irritava o tecido cutâneo. “No Recife ouvi dizer que tem médico bom para esse negócio aí”. Foi o que ouviu de um transeunte.

Agarrou-se aquela informação sem sequer confirmar se havia veracidade ou não. Iria para Recife à procura de tratamento. E da mesma forma, pedindo e esperando, apoiando-se em uma muleta, tomou o rumo de Pernambuco. Que música linda! De onde vem?!

1887. João estava dormindo na porta de um estabelecimento comercial. Era domingo cedo. Dormia sempre onde encontrava espaço, nas portas mais ao fundo das paredes para proteger-se da chuva.

Acordara com lindos hinos sendo entoados. Ficou impressionado. Enlevado, guiando-se pelo som, foi se aproximando.

Achou aquilo estranho. Não era igreja como ele conhecia uma igreja, mas parecia algum tipo de missa acontecendo em um salão pequeno. Mas não tinha padre, nem véu, nem velas… Ficou à porta, meio acanhado e muito desconfiado. Achara a música linda. E como não tinha outra coisa para fazer ficou ouvindo. No outro domingo quis voltar para ouvir mais cânticos. E ficou novamente parado na entrada.

E ouviu a mensagem. Que mensagem linda! Que palavra segura! Que Cristo maravilhoso! João Batista não agüentou mais. Queria professar imediatamente aquela fé, bíblica e cristalina que fazia o seu coração arder.

Assim, veio a Cristo, passando a receber a atenção e o cuidado dos membros da igreja. Não muito tempo depois, providenciaram para ele um quartinho nos fundos e generosas irmãs lhe davam alimento. Se lia “só de carreirinha e muito mal”, o tempo que tinha passou a ser investido aprendendo a ler melhor. E lia a Palavra de Deus, e lia, e lia… Os meus parentes estão em trevas. João ficou triste, muito triste.

Pensava nos seus lá no Maranhão. Eles nunca tinham ouvido aquela mensagem do evangelho da Graça de Deus. E por isso orava e rogava ao Pai a oportunidade de revê-los. Queria compartilhar a Palavra. A sua saúde continuava debilitada. O tratamento que viera buscar não encontrara. Sua alma estava restaurada, mas a sua perna já estava bem comprometida. Queria retornar ao Maranhão e pregar para os seus parentes antes de morrer.

A liderança da igreja levantou um montante e o enviou a São Luís com uma carta de recomendação. Àquela altura a Missão Presbiteriana do Norte do Brasil destacara para aquela capital os Reverendos Butler e Thompson, que acolheram João. Foi Dr. Butler, aliás, quem cuidou de suas feridas e providenciou a amputação da perna, por não haver mais jeito. João Batista Pinheiro tivera amputações que chegavam perto das nádegas.

Distribuindo folhetos incansavelmente. Fizeram para ele um carrinho com rodas de madeira (tipo carrinho de rolemã) para que pudesse se locomover. Como a pele na região amputada ficara sensível, também lhe forneceram uma proteção à base de couro e assim se arrastava pela cidade, sempre pregando o evangelho e sempre distribuindo folhetos.

De São Luís seguiu para Barra do Corda.

Matem esse aleijado! Assim que começou a pregar começaram as reações fortes! Aquilo ia contra os ensinamentos da Igreja Católica! Aquilo era heresia! Aquilo era mensagem de maldito protestante!

Com limitações físicas, foi apedrejado, linchado, e certa vez um furioso anti-evangélico lançou seu cavalo contra ele, atropelando-o.

Pedira Bíblias que o Rev. Thompson enviara pelo Correio. Seis exemplares, todos tomados à força e queimados em praça pública. Pediu mais Bíblias e dessa vez a Igreja de São Luís enviou o dobro: doze. E foi graças à perseverança e pregação deste incansável servo de Deus que as primeiras famílias em Barra do Corda ouviram o evangelho e nele creram.

Em 1901 professaram a fé as famílias Barros, Caetano, Pinheiro, Dodô e outras mais, através do testemunho daquele homem humilde e fiel. Dos ensinamentos recebidos no Recife e em São Luís, João a todos recomendava o amor e a devida observação às Sagradas Escrituras, ensinando pacientemente os novos convertidos, ajudando-os a seguir na trilha da fé, com perseverança e dependência da Graça!

Em 1905 chegara à cidade de Grajaú, distante cerca de 200 quilômetros de Barra do Corda, um casal canadense. À semelhança do conhecido médico escocês Dr. Robert Kalley, Perrin e Ann Smith vieram ao país como missionários independentes, mas com visão mais congregacionalista. Perrin era um pregador incansável, viajando mais de 700 quilômetro à cavalo pregava sempre em cidades como Serra das Cintra, Imperatriz, Serra Negra, incluindo também a região do Alto Mearim.

Em 1911 realizou mais de 30 batismos em Barra do Corda, dos “discípulos do João”. Ali os crentes pediram-lhe encarecidamente que cuidasse do rebanho, pois João Batista Pinheiro, agora velho, surdo e quase cego, recolhera-se muito enfermo à casa de uma filha.

A Igreja Presbiteriana não tinha quem enviar para lá e um sobrinho de João era quem ‘pastoreava’, sendo este muito simples e quase analfabeto. O Pastor Perrin atendeu o pedido, comprou uma propriedade e dali passou a pregar em outras localidades como Porto Franco, Mirador, Colinas, São Domingos, Presidente Dutra, etc. Por suas convicções, aquela que seria uma igreja Presbiteriana foi mudada para uma linha mais congregacional, surgindo uma nova denominação no solo brasileiro: a Igreja Cristã Evangélica do Norte do Brasil (os pais da minha esposa atuaram por mais de 40 anos com este grupo). E a Igreja Cristã Evangélica está hoje presente em onze estados brasileiros, massissamente na região Norte do país.

Ide! De Barra do Corda saíram muitos obreiros simples que foram entrando nas matas do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia e hoje pregações bíblicas e igrejas nos mais longínquos rios amazônicos podem ser encontradas. Homens e mulheres de Deus seguiram a boa tradição de compartilhar a Palavra onde houvesse oportunidade e gente para ouvir, tornando a gloriosa mensagem do evangelho bem conhecida nas densas matas do Norte. Era a mesma mensagem levada anos atrás pelo aleijado onde não havia Mensagem. E desde então este evangelho de poder transformador andou e tem andado como nunca! “…e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus”. ( 1 Co 1.28,29).

Escrito pelo Rev. Jáder Borges Filho

Relato possível graças ao livro “Nossas Raízes” do Rev. Abdoral Fernandes, que conta a história das Igrejas Cristãs Evangélicas do Norte do Brasil

Até aqui….

30 dezembro, 2008

 

Encerrando oficialmente o ano de 2008, posso dizer como Samuel: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sa 7.11-13)

Não significa que não houve momentos de dúvidas, tristezas e apreensão, afinal temos sempre que lembrar que ainda hoje os filisteus são mais fortes, mais poderosos e em maior número.

Os breves relatos com que venho alimentando esse blog, não devem ser mal interpretado  pelo leitor distraido ou precipitado. Acredite, é impossível expressar o desafio que os cristãos enfrentam diariamente, mas … é a cada dia. Se ainda não fui claro cito o que meu tio Otavio dizia: “sopa quente a gente toma pela borda”. Precisa de colher e prudência, não mais que isso.  Muitas pessoas já estão sofrendo só de pensar que tem um ano inteiro, novinho em folha, pela frente.

É um bom momento de lembrar que a misericórdia de nosso Deus “..se renova a cada manhã.”  (Lm 3.22-24)

A frase de Samuel também não deve ser entendia como um ponto limite da paciência de nosso Criador, não significa que, no ano que está para começar, Deus vai tirar férias. Nesse momento há um forte desequilbrio na mídia entre a prudência e a histeria.

Para terminar o ano, aproveito a palavra de dois Guilhermes:

A primeira palavra, do avô Rev. Guilherme Kerr, em um de seus sermões sobre a causa de coisas ruins acontecerem aos  que são fieis à Deus:  “Se houvesse uma forma melhor, Deus teria feito”, Deus não está em julgamento.

A segunda palavra, do primo Pr. Guilherme Kerr Neto, em seu sermão “Jesus is on the move”, (http://www.harbourchurch.org/podcast/wp-content/uploads/2008-07-20_guikerr_jesusisonthemove.mp3) que nos lembra da promessa (na verdade os termos em Ezequiel são mais forte que uma promessa) de Deus enviar seu Filho para cuidar de nós( Ez 33.10-16), mas é preciso que Cristo seja parte de nossa vida.

Como aprendi na Escola Dominical, “com Cristo no barco tudo vai muto bem, e passa o temporal”.

Bom ano para todos, com mais histórias que precisam ser contadas