Em 2008, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) está comemorando o Ano da Bíblia. ( http://www.sbb.org.br/anobiblia2008 )
Durante o ano de 2008 uma série de eventos estão celebrando 60 anos da criação da SBB e 200 anos que a Inglaterra começa a produzir A Bíblia em português.
A partir de 1810, D. João VI autoriza a construção de igreja protestantes no Brasil, desde que não tivessem aparência externa de igreja. Nesses locais os estrangeiros poderiam se reunir regularmente.
Ainda no início do sec XIX, tem início os movimentos missíonários, a expansão do modelo da Escola Dominical e a criação da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira em 1804, com a missão de tornar mais fácil o acesso as escrituras sagradas. Embora a Sociedade Bíblica Britanica seja considerada a primeira organização dessa natureza a ser criada, antes de 1804 já havia uma Sociedade Bíblica na Alemanha e durante a uns poucos anos houve uma na França, com o mesmo propósito, mas a organização da França enfrentou o conturbado ambiente politico-sócio-econômico do fim do sec XVIII e fechou suas portas.
No Brasil, em 1805, Henry Martin estava a bordo de um navio que fez um “pit-stop” na Bahia, para reabastecimento, em sua primeira viagem missionária para oriente. Na Bahia Henry se admira da grande quantidade de igrejas na cidade de Salvador, embora com pouco tempo terra constatou a falta de Cristo na vida do povo. Henry travou alguns debates teológico com religiosos locais mas prosseguiu sua viagem. Se tornou um grande tradutor da Biblia, trabalhando na India e viajando pelo oriente até sua morte precoce em 1812, aos 31 anos de idade.
As impressões de nosso país foram marcantes para aquele jovem missionário. Henry escreveu um relatório descrevendo o tamanho de nosso território e desafiou a ceifeiros para virem a tão grande seara. Esse relatório, mais de 40 anos depois, certamente foi lido pelo pastor presbiteriano Rev. James Fletcher(Kalley menciona trechos escritos por Henry em um de suas cartas)
Outro pioneiro foi Daniel Kidder, pastor metodista contemporâneo de Fletcher. Kidder escreveu um livro sobre suas viagens pelo Brasil, também esse livro foi lido por Kalley. Tanto Kidder como Fletcher fizeram distribuição de escrituras no Brasil, embora de forma esporádica, ou seja, viajavam muito, e aproveitaram para distribuir pequenas quantidades de Bíblias, Novos Testamentos e porções bíblicas.
Fletcher escreve em 1853 solicitando a Sociedade Bíblica Americana que enviasse algumas famílias de Madeirenses para ajuda-lo no Brasil. Esse pedido chega a Kalley, que inicialmente recusa.
Em janeiro de 1855 Kalley, que já tinha lido o livro de Kidder e provavelmente o relatório de Henry Martyn, decide vir ao Brasil.
A partir da chegada de Kalley e do convite as três famílias de madeirenses em 1856, o trabalho de evangelismo, Escola Dominical, fundação de Igreja protestante para brasileiros e o trabalho dos colportores, tem um carater metódico, contínuo e planejado. Logo depois chegam os presbiterianos, os batistas, metodistas, etc.. com a mesma visão, o de trabalho permanente e contínuo.
No próximo texto alguns dados sobre o trabalho dos colportores.
Em agosto, como já foi contado, foi o mês que minha avó Elaine da Gama, aos 90 anos, bisneta de Francisco da Gama, nos deixou. Foi depois de uma longa batalha (afinal era uma mulher da Gama), batalha tal como foi de Helena, sua mãe. Umas das especialidades de Elaine eram seus doces, avós costuma ter esses poderes mágicos, com sua partida minha irmã Lucia comentou que o “mundo ficou menos doce.”
Durante esse tempo que não voltei ao blog, li mais histórias, todas merecem ser contadas, mas sempre que pensava em começar um texto era a mesma coisa, o dia começava antes que o anterior tivesse terminado, e o resto de tempo, que já é curto e precioso, foi desperdiçado, as vezes até em reclamar e se lamentar de não ter tempo.
Continuo de onde parei em julho, com William Kerr se casando em Sorocaba com Aurora de Campos.
Foram vários anos de pastorado, em Sorocaba, na igreja do Brás, em São Paulo, e no auxílio ao Presbitério em outras localidades. Tenho vários resumos dos sermões que William preparou, e embora as anotações sejam composta de referências bíblicas e tópicos do assunto, a forma como William anotava e o padrão uniforme de sua exposição e argumentação mostram sempre o desejo claro e objetivo de pregar o evangelho.
Em 1930 assume a cadeira de hebraico no Seminario de Campinas. Começa a preparar a primeira Gramática da língua hebraica, em português. Essa obra levaria mais de 15 anos para ser publicada. Quando conseguiu publicar, foi patrocinada pela da Sociedade Biblica Americana. Não havia equipamento gráfico que pudesse imprimir texto em hebraico no Brasil na época. A própria montagem do livro foi lenta e com a participação da família. Aurora fazia a revisão do português, durante algum tempo o seu filho mais novo, Lysias, colocava as letras do alfabeto hebraico desenhada na mesa, pendurada na parede, ou quando as frases eram muito compridas, no chão de sua casa, outro filho mais velho, Neander, tirava fotos com a máquina fotográfica que tinha comprado na Italia, durante a segunda guerra mundial. Lysias ainda sabia de cor o alfabeto hebraico mais de 30 anos depois dessas aventuras de criança. Assim foi feita a composição dos textos que seriam levados para Nova York na montagem final do livro.
Nessa época, 1940-1950, foi membro da comissão criada pela Sociedade Biblica Americana (a Sociedade Bíblica do Brasil só veio a ser criada em 1948) para fazer a revisão do texto conhecido como Tradução Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida. Eessa comissão trabalhou por mais de quinze anos e produziu a versão conhecida como Tradução Revista e Atualizada de JF Almeida. William era um dos especialistas em hebraico. Outro integrante era o Rev. Galdino Moreira, seu companheiro de escola em Lavras.
Uma nova revisão to texto da Revista e Atualizada foi feita nos anos de 1990, logicamente com uma outra comissão de especialistas, basicamente para atualizar o português, se chamou de Revista e Atualizada segunda edição.
William se destacou como mestre, foi admirado por muitos alunos que se tornaram mestres, se destacou como pastor, muitas de suas ovelhas tinham especial prazer em conhecer seus descendentes quando ouviam o nome Kerr. Embora não tenha conhecido o avô William, pelas histórias que já ouviu de meus tios e primas, como pai e avô, ele era uma doce presença.
Agosto fez diferença para igreja evangélica no Brasil, e em particular para minha família, é um mês com muitas histórias e fatos marcantes.
Os eventos a seguir ocorreram em agosto:
Em agosto de 1829, Kalley se forma médico na Escócia.
Dia 2, em1846, é iniciado uma série de ataques e perseguições violentas aos evangélicos na Ilha da Madeira, culminado no dia 9 com o incêndio da casa de Robert Kalley.
Dia 6, em 1691, falece João Ferreira de Almeida, tradutor da Bíblia para o português, missionário da igreja reformada holandesa.
Dia 6, em 1856, chegam no Rio de Janeiro, vindo dos EUA, as três famílias dos Madeirenses Exilados, entre eles Francisco da Gama e sua família.
Dia 6, em 1867, nasce Salomão Ginsburg.
Dia 6, em 1955, Lysias e Norma se casaram.
Dia 8, em 1907, falece Sarah Kalley em Edimburgo.
Dia 10, em 1936, nasceu Norma
Dia 10, em 1856, Kalley realiza a primeira Santa Ceia, na casa de Francisco da Gama, com a presença dos madeirenses que atenderam o chamado de vir ao Brasil.
Simonton chega ao Brasil em 1859, no dia 11, e desembarca no dia 12, no Rio de janeiro.
Dia 11, em 1888, nasceu William Kerr.
Dia 19, em 1855, Kalley e Sarah realizam a primeira reunião da Escola Dominical no Brasil, na cidade Petropolis.
Dia 27, em 1906, falece Rev. João daGama, irmão de Francisco da Gama.
Dia 29, em 1859, após um longo processo, Robert Kalley é autorizado a exercer a medicina no Brasil.
Hoje é dia de fazer barba e por roupa bonita.
Hoje é dia de ouvir Bach e Vivaldi e cantar parabéns.
Hoje é dia de comer bolo, sem exagero.
Hoje é dia agradecer a Deus, mas todo dia é, então que seja um agradecimento especial.
Hoje é dia de esquecer o inevitável e o imponderável, “basta a cada dia o seu mal”.
Hoje é dia de doces e agradáveis lembranças, mas bem que podia ser assim o ano todo…
Hoje é o dia em que Lysias nasceu, já descansou, mas vive em nossos corações.
Edward Lane e George Morton chegaram juntos a Campinas. Construiram a Primeira Igreja Presbiteriana e o Colégio Internacional. Enfrentaram problemas na construção. Não conseguiam tijolos!!!. Mas Deus separou a dedo a pessoa que estaria à frente do trabalho, Edward Lane. Ele nasceu na Irlanda, ficou órfão a primeira vez de seus pais ainda bem menino. Foi adotado por um casal na Irlanda. Sua nova família resolve imigrar para os EUA.
Chegando na América, fica órfão pela segunda vez. Um médico adota o menino Edward, e durante algum tempo sua vida melhora. Entrando na sua mocidade fica órfão pela terceira e última vez. Para continuar seus estudos, trabalha como auxiliar em uma olaria. Decide ser pastor e ingressa no seminário. Quando já estava terminando o seu curso, começa a Guerra Civil Americana, Edward trabalha como assistente de enfermagem nos campos do sul. Certamente esse tempo como enfermeiro, foi de grande importância quando cuidou dos enfermos na epidemia de Campinas. Bom, após essa introdução, voltemos aos tijolos que permitiram a construção.
Quando surgiram as dificuldades de material de construção, Edward escreve para seu antigo chefe na Olaria, nos EUA, pedindo ajuda e conselhos, e naquele momento, é informado que a máquina que produzia tijolos tinha acabado de ser substitíida por uma mais nova. Lane ganha de presente a máquina em que trabalhou por alguns anos. Depois de resolver os problemas de logísitica de transportar e instalar a máquina em Campinas, mais um probleminha. Ninguém sabia operar aquele equipamento! Edward, coloca a mão no barro, e começa a produção dos tijolos. Obra acabada, máquina operando, a olaria começa a produzir tijolos de forma comercial. Ainda hoje há uma ponte sobre o córrego da Av. Orozimbo Maia com tijolos produzido por Lane.
O Colégio Internacional de Campinas fica famoso. D. Pedro II visita a instalação por duas vezes. Muitos missionários, das mais variadas denominações, frequentam a escola em Campinas para aprimorar o conhecimento do idioma portuguès. Na década de 1880-1890, acontece a epidemia. Morton vai para São Paulo e cria uma nova escola, nos mesmo moldes de Campinas, onde aliás, Alberto Santos Dumont é aluno por algum tempo.
Lane, apesar de tudo, permanece em Campinas. Em uma de suas viagens ao EUA, faz apelo para que mais misssionários e professores viessem ao Brasil. Entre os que atenderam o seu apelo estavam Gammon, Eliza Reed e Carlota Kemper. Gammon cria o Instituto em Lavras em 1894, Carlota passa a ser uma de suas professoras em Lavras depois do falecimento de Lane. Eliza Reed vai para Recife, participa da criação da escola americana junto com outra missionária, Winona Evans. Winona se casa com o jovem Rev. Henry McCall. Por causa do trabalho iniciado por McCall em Garanhus, e continuado por Butler, o trabalho missionário se multiplica, e lá são criado uma escola e um seminário. Eliza mora por alguns anos em Garanhuns, mas por motivo de saúde vai ao EUA. No retorno ao Brasil é convidada para dirigir o recém-criado colégio americano em Natal, RN. Em 1904 volta a morar em Recife e cria o Colégio Americano, que alguns anos mais tarde é rebatizado com o nome de Colégio Evangélico Agnes Erskine.
Mas o legado de Lane, vai mais além. Os Lanes doaram o terreno onde hoje funciona o Seminário Presbiteriano de Campinas, seu filho, e depois os netos, se fixaram em Campinas.
Dr. Eduardo Lane III e Dr. John Lane (netos de Edward Lane), estudaram medicina. Dr. John foi amigo de meu pai na mocidade e na minha adolescência remendou minha cabeça. Foi na época em que passava férias na casa dos primos em Campinas e consequência de uma exibição desastrada de bicicleta, quando atropelei uma charrete e aterrisei sem trem de pouso no asfalto da rua Barbosa da Cunha.
William Lane é pastor, filho do Dr. Eduardo Lane III, participou dos trabalhos de tradução da Biblía na Versão Internacional(NIV) para o português, William é um bom menino, tem alguns anos a menos que eu, mas também tem menos cabelo.
Todos os Lanes com quem já tive o prazer de conviver devem ter alguma herança genética com o gene da simpatia, ativo e dominante.
Durante as minhas pesquisa fui acumulando muitas histórias dos colportores. O texto abaixo foi enviado por Sr. José Remigio Cerqueira Leite, descendente de Jose Fernandes Braga e Antonio Cerqueira Leite. Aproveito aqui para agradecer mais uma vez a gentileza de José Remígio.
O texto foi escrito por, Tomas Gallart, em sua Bíblia, um edição traduzida pelo Padre Figueredo, impressa em 1850 na Inglaterra (Kalley só se utilizava dessa tradução embora gostasse muito da versão de Almeida).
A narrativa embora muito fragmentada permite ter uma breve noção do trabalho dos colportores no sec. XIX. Tomas viajou do Rio Grande do Sul ao Amazonas, e vei a falecer em 1876.
“Recebi esta Bíblia na Bahia, sendo caixeiro do escoces David Easton, fornecedor de navios no ano de 1856.
Foi oferecida pelo capitão do barco ingles Surret, e o nome do capitão era Greenham.
Nasce meu filho Thomas no dia 11 de dezembro 1857 na freguesia da Conceição da Praia de Bahia, e foi batizado na mesma freguesia no dia 21 de janeiro de 1858. Eramos nesse tempo catolicos romanos.
Embarquamos na Bahia de mudança para o Rio de Janeiro no dia 7 de novembro de 1859.
Nasce meu filho Candido no dia 17 de setembro de 1860 na rua da praia do Saco de Alferes no Rio de Janeiro.
No dia 12 de abril de 1861 fui convertido ao ouvir um sermão do ministro do evangelho, Dr. Robert Reid Kalley, ministrado na 1ª Igreja Evangélica Fluminense, reconhecida pelo governo imperial no Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro, 30 de junho de 1861. Recebi hoje o batismo ministerial pelo reverendo Dr. Robert Reid Kalley, ministro da 1ª Igreja Evangelica Fluminense no Rio de Janeiro e tive lugar pela primeira vez, na participação do pão e do vinho, na ceia do Senhor.
Rio de Janeiro, 12 agosto 1861.
Hoje, sendo 7 e meia para as 8 da noite, estando eu com as pessoas de seguintes nomes: Julio Hespanhol(negociante de sapatos) e Barbosa com negócio de molhados na esquina da rua Gamboa; Manoel Orge Hespanhol, morador com venda de molhados na esquina de fronte a Igreja St. Antonio na rua dos Invalidos, outros dois que não sei o nome, um mocinho brasileiro e outro é portugues da fabrica de sabão na Gamboa, estavamos na Casa de Oração, a casa do irmão Francisco da Gama, estando o Dr. Kalley explicando o Evangelho, jogaram algumas pedras na vidraça das janelas que quebraram os vidros, saimos para ver o que era, e não vimos ninguem. Continuamos as explicações e em poucos minutos tornaram a jogar pedradas próxima. Os cinco nossos e eu, chegando no alto da rua do Propósito estava uma grande porção do povo que investia contra nós como feras, armados de pás e pedras, onde Barbosa caiu ferido com a cabeça com uma grande brecha. Depois foram atacar a casa do irmão Gama, nº 52 da rua do Propósito, donde estava Dr. Kalley, e fizeram muito para arrombar a porta; depois chegou o subdelegado com um praça de policia que lhe custou restabelecer a ordem.
Esta perseguição demorou tres dias, foram espancados alguns irmãos e filhos menores.
Contratei-me com a Sociedade Biblica de Nova York para vender Biblais na Bahia, e sai com a minha familia do Rio de Janeiro para Bahia no dia 23 de abril de 1862.
Bahia, sabado 26 de abril de 1862
Chegamos hoje nesta cidade as 7 da manha no vapor Nacional Cruzeiro do Sul., capitão Marcelo.
Bahia 1 maio de 1862
Depois de ter tirado licença de Vendas Provinciais, hoje sai a rua pela primeira vez nesta cidade vendendo Biblias.
Bahia, 17 de junho de 1862. As 10 h da manha na rua do Caquende, nº 26, morreu meu filho Israel.
Bahia, 9 de fevereiro de 1863, Hoje chegou a esta cidade o Rev. Ricardo Holden, o primeiro ministro que veio pregar o Evangelho na Bahia.
Cidade da Cachoeira, na Provincia da Bahia. Quarta-feira 3 de junho de 1863.
Neste dia o vigario Requião, vigario desta mesma cidade, seriam 3 h da tarde, pouco mais ou menos, me veio atacar na rua com uma porção do povo, pedindo me o dinheiro das Biblias que ali eu tinha vendido; e, como eu não quis ceder, me prendeu por ordem do delegado de policia para proibir de vender Biblias em Cachoeira …o Senhor me livrou. Nesse dia tinha vendido 51 Biblias.
Bahia, 31 de maio 1864. deixei de trabalhar para a Sociedade Biblica de Nova York.
Bahia, 1 dezembro de 1864. Hoje principiei a trabalhar como colportor na Sociedade Britanica e Estrangeiras da Biblia em Londres.
Bahia, 12 de março de 1866. Nasceu meu filho Felix.
Saimos da cidade da Bahia com minha familia para ir ao Rio de Janeiro no serviço da Sociedade. Britanica e Estrangeira da Biblia de Londres, junto conosco o irmão João Antonio de Menezes. Nos ocupamos no serviço da venda de Biblias, no sabado 15 de setembro de 1866.
Vila Nova de Rainha, provincia da Bahia, 3 de outubro dde 1866. Morreu meu filho Felix, que havia nascido 12 de março desse mesmo ano, correndo todo o processo de lei para enterro do menino, pois não professamos a religião do Estado.
Chegamos na vila de Juazeiro no sabado a noite do dia 13 de outubro 1866, primeiro posto do rio S. Francisco distante 90 leguas da capital da Bahia.
Saimos de Juazeiro no dia 28 de novembro de 1866 e chegamos na vila da Barra do Rio Grande no dia 27 de dezembro do mesmo ano.
Saimos da vila da Barra do Rio Grande no dia 3 de junho de 1867 e chegamos na cidade de Januaria do Porto do Salgado, provincia de Minas Geraes no dia 9 de julho de 1867.
Saimos de Januaria no dia 17 de janeiro de 1868 para cidade de Paracatu, onde chegamos no dia 5 de março de 1868.
Nasceu o menino Felix 2º no sabado de aleluia para domingo da Ressureição: não podemos saber se foi no sabado se no domingo, pois não tinhamos relogio. Digo, nasceu o menino na noite de 11 para manhã de 12 de abril de 1868..
Morreu o menino Felix 2º na vila de Juazeiro no dia 25 de abril de 1869 as 7 h da noite.
Rio de Janeiro 4 de janeiro de 1871. Hoje as 10 h da noite morreu o meu filho, Thomaz, com 12 anos de idade..”
“Para os meu filhos: Pr 13:24; 23:13,14; 29:15,17”
Flavio, obrigado pela correção do nome de nosso bisavô, nas minhas fontes de consulta consta realmente João Carlos, eu é que me atrapalhei.
Por favor, verifique suas notas quanto ao resto das informações, há divergências da minha nos seguintes pontos:
Juca era o apelido do filho de José Carlos, também chamado de José Carlos. Juca surgiu justamente para diferenciar os dois Josés.
Votorantim não existia na época, a região era conhecida como bairro de Sorocaba, Bairro do Rio Acima.
A primeira igreja de Sorocaba foi formalmente criada em 1876, em 19 de setembro. Seu primeiro pastor foi Antonio Cerqueira Leite. No entando já estava construida desde 1874. A irmã de Juca e João Carlos, Maria Madalena de Campos, foi a primeira que fez profissão de fé na família Campos, no dia 3 de maio de 1874.
Depois de Antonio Cerqueira Leite, que faleceu em 1883, foi pastor por muitos anos o Rev. José Zacarias de Miranda. Um novo templo foi inaugurado em 1886. Em 1899 chega um novo pastor, Rev. Carvalho Braga que foi pastor até 1917, quando o jovem William assume o pastorado da Igreja Presbiteriana, que nessa data já era Votorantim.
Por fim, como destaque, foi Rev. Carvalho Braga quem celebrou o casamento de William e Aurora. Carvalho Braga era açougueiro, e embrulhando carne com folhas de Bíblia e jornais com artigos evangélicos, tem início sua conversão. Estuda se forma pastor. Foi pai do Rev. Erasmo Braga, que foi professor do vô William no Seminario em Campinas.
Seus comentários foram importantes por isso vou publicar como texto ao invés de comentário de comentário. Por favor me avise de mais imprecisões históricas, equívocos e texto mal redigido.
Abraço do seu primo Edu.
Em 1907 o pai de William, Warwick S. Kerr, adoeceu. Seu estado de sáude foi piorando. William havia arrumado emprego no Rio e o jovem de 18 anos já tinha traçado seu destino. Decidira ir embora do Brasil, embarcou em um navio da marinha mercante como parte da tripulação, conseguira cartas de recomendação e a promessa de emprego em Liverpool, na Inglaterra. Na verdade seus planos iam mais longe ainda, William queria morar nos EUA. Ainda a bordo do navio ele recebe a noticia da doença de seu pai, resolve adiar seus planos. Vai a Santos e fica abalado com o estado de saúde de Warwick. Decide permanecer no Rio por mais algum tempo, embora aquela oportunidade estivesse perdida, outras surgiriam.
No Rio de Janeiro volta a estudar, e começa a frequentar a Igreja Presbiteriana da Barreira, no centro da cidade, na rua Silva Jardim. Lá se encanta com os sermões de Alvaro Reis. (William dizia aos seus alunos que só a presença física de Álvaro Reis no púlpito já era metade do sermão). Álvaro Reis era exímio orador, sabia usar da Palavra de Deus, debateu assuntos polêmicos na imprensa secular e nos periódicos cristãos da época, dedicava bastante tempo no preparo de seus sermões.
No dia 1 de novembro de 1908, é arrolado como membro comungante da Igreja Presbiteriana da Barreira (hoje Catedral Presbiteriana), no dia seguinte, estando William no bairro de Santa Tereza, assiste compadecido uma procissão com pessoas realizando auto flagelamento, Isso o deixa entristecido. “Será que ninguém pode orientar essas pessoas sobre o evangelho de Cristo?”.
Em, 4 de janeiro de 1909, William é apresentado ao Conselho da Igreja como candidato oficial ao ministério. William tinha 20 anos mas não havia completado o curso secundário, interrompera os estudos na escola pública em Santos, embarcou em navio cargueiro e como tripulante estivera pelas costas da America do Sul, só voltou a estudar na ACM, no Rio de janeiro, em 1908 ainda não havia terminado o curso. Alvaro Reis, sugeriu que William termine seus estudos em Lavras na escola dirigida por Gammon. Começaria uma nova fase na vida de William.
Em Lavras, conhece dois grandes amigos, Rev. Galdino Moreira e Rev. Jorge Goulart. Galdino veio a se casar com a irmã de Jorge Goulart alguns anos depois.
Conheci Rev. Galdino na década de 1960, ela já era bem idoso, Pastor Jubilado da Igreja do Riachuelo. Ouvia seus sermãos sem compreender muito o que falava, mas de dentro da sua toga sacedotal, Rev. Galdino me assustou muitas vezes. Durante seus sermões, ele se empolgava, ou ficava muito irritado com os assuntos que tratava, e socava o púlpito, algumas vezes com explosões de protesto com gesto e em alta voz, e é lógico, muitas vezes fui acordado com babando no vestido da minha mãe. Na saída da igreja eu via aquele velhinho falar com ternura com meus pais, mas acho que sempre temia que ele tivesse mais um momento de indignação, e estendia minha mão para cumprimento meio ressabiado, talvez pensado, “será que ele me viu dormir?”
Antes dessa fase Galdino tomou parte na Comissão de Revisão que foi montada pelas Sociedades Bíblica Britanica e Americana, foi um projeto que e durante vários anos realizou a revisão da versão da Biblia conhecida como Revista e Corrigida de Almeida, estava sendo produzindo a versão Revista e Atualizada, que foi publicada em 1956. Nos primeiros anos de trabalho dessa Comissão, William também participou junto com um grupo de quase 10 especialistas de áreas distintas. Quanto a Jorge Goulart, não me recodo se alguma vez tive oportunidade de conhecer. O casamento de meus pais foi realizado na Igreja do Riachuelo em 1955 por William, Galdino e Rev. Thiago, que na época tinha 3 ou 4 anos de formado.
De volta a Lavras em 1908. Carlota Kemper se radicou em Lavras após a epidemia de Campinas, ensinava matemática e latim. Era respeitada e querida por todos os alunos. Nas férias escolares William e Jorge Goulart saim com os professores nos fins de semana para auxiliar nos trabalhos dominicais. William termina a escola em 1912 e vai para Campinas, começa o seminário junto com seus amigos Galdino e Jorge.
Antes de terminar o ano de 1912, alguns eventos marcam profundamente a vida de William.
Samuel Caldas Kerr, irmão por parte de pai de William, morre ainda menino. Warwick fica extremamente deprimido e fica meses em casa.
Um livro chega as mãos de Warwick, um dos livros preferidos de Robert Kalley. Kalley traduziu para o portugues pela primeira vez na Ilha da Madeira, refez a tradução no Brasil, publicou em portugues e, ainda assim, importou dezenas de exemplares em ingles enquanto esteve no Brasil, livro era “O Peregrino”, de Bunyan. Não sei se podemos descobrir hoje quem teria dado o livro a Warwick, mas o que importa é que ao término do livro, Warwick teria dito: “Agora entendo o amor de Cristo e a mensagem do evangelho”. No primeiro dia de volta ao trabalho, Warwick, muito feliz, diz no escritório que o livro havia mudado a sua vida. Quando pedem para ver o livro, Warwick se abaixa para pegar e tem um enfarte fulminate, era setembro de 1912.
Xi… nesse texto nem cheguei de volta ao Rev. Edward Lane. Peço desculpa aos leitores pelo uso excessivo do recurso literario que venho usando, a digressão. Vou tentar manter um linha mais cronológica, embora o Espalhando Sal 9 e 10 já estejam escritos e precisando apenas de revisão, e voltam a dar saltos de decadas nessa história.
Cada uma das pessoas mencionandas no título, Edward Lane, Álvaro Reis e William Cleary Kerr, merecem biografias separadas, algumas já foram escritas e publicadas (Rev. Edward Lane e Rev. Álvaro Reis), no caso de William C. Kerr, alguns já escreveram, mas desconheço que tenha sido publicado. Meu primo Flavio está envolvido na compilação de histórias para escrever e publicar do vô William, mas como se trata de uma prazer e não obrigação, não tem tempo para terminar.
Nas pesquisas feitas até agora, consta que a primeira biografia do Rev. Edward Lane, foi escrita pelo Rev. Herculano de Gouveia, que alias escreveu também a primeira biografia de Rev. João DaGama. Herculano é fruto da pregação de Conceição, Blackford e Pitt, na cidade de Brotas, foi batizado por Rev. João DaGama em Rio Claro (irmão de Francisco da Gama), foi aluno de Edward Lane, casado com Elvira Cerqueira Leite, cursou seminário de Campinas na turma de Álvaro Reis.
Edward Lane, tem uma história de vida inspiradora, a superação da adversidade começa a ser forjada na infância ainda na Irlanda e o acompanha durante sua vida toda, a dedicação ao ministério e ao ensino nas escolas que ajudou a construir, dedicação aos missionários que se sentiram tocados em suas palestras e resolveram vir ao Brasil, entre eles Carlota Kemper, Elisa Reed e Rev. Gammon, e a obra construida por ele e seus descendentes ainda testificam hoje o seu amor ao evangelho. Realizou o casamento de Alvaro Reis e foi mestre muito querido por todos seus alunos. Enfrentou a febre amarela em Campinas até o fim de suas forças. Providenciou a retirada de todos os professores e missionários de Campinas, ficando praticamente só com a ajuda da valente Carlota Kemper, entre os que foram poupados da epdemia estavam os Sydenstrikers, seu filho Eduardo Lane, Gammon e sua ajudante Carlota.
Álvaro Reis e Mariquinha, não tiveram filhos naturais, mas criaram 14 crianças adotivas, quando menino ficou orfão muito cedo, nascido na igreja logo se afastou, sendo alcançado pela misericórdia de nosso Deus através das pregações de Edward Lane e Rev. John Boyle. Já como pastor no Rio, em 1910, criou o Orfanato Presbiteriano, que teve início na sua casa, a casa pastoral da igreja que dirigia, hoje a Catedral Presbiteriana do Rio de janeiro. Espalhou o sal e transformou vidas, mudou a vida e William Kerr, meu avô.
William nasceu dia 11 de agosto, dia 12 era aniversário de sua irmã Elisa, quando criança disseram para Elisa que William era seu presente de aniversário. Elisa foi eterna protetora e defensora de seu irmão caçula. Morando em Santos, Elisa começa a levar William a igreja Episcopal, onde Rev. F. Holms e o Rev. Joseph Orton eram pastores. Orton era inglês, cresceu em Recife e através de Sarah Kalley, a Missão Help for Brazil indicou-o para igreja Congregacional em Recife. Após um tempo em Pernambuco Orton vem para o sul, trabalhar com Rev. J. M Gonçalves dos Santos, o sucessor de Kalley na Igreja Congregacional do Rio. Em uma das viagens que fizeram juntos foram perseguidos por 200 fanáticos na cidade de Mangaratiba, Deus os protegeu.
Voltando a transformação do meu avô de futuro marinheiro em pastor e professor de hebraico. Em 1907, ainda em Santos, meu avô William faz sua profissão de fé na Igreja Anglicana de Holm e Orton, com a presença do bispo Rev. Edward Every.
Mas William sonhava com o mar, possivelmente desde que sua “esquadra de tamancos de madeira”, um dos seus brinquedos favoritos, foi tirado dele para virar lenha de fogão para terminar um doce de abóboras, Elisa é claro que protestou em defesa de seu irmão, mas o doce venceu. William arrumou emprego em Liverpool, na Inglaterra, e já estava com passagem nas mãos quando desistiu de viajar, pelo menos adiou.
Hum…. tem mais história, depois conto porque William adiou a viagem, e novamente pontas do novelo dessas histórias se entrelaçam.
Salomão Ginsburg, era polonês, judeu, e se converteu ao Evangelho na Inglaterra. Após sua conversão entrou para o seminário. Quando estava para se formar, sentiu o desejo de realizar missões, foi convidado para trabalhar na Jamaica, na Índia e quando surgiu o convite para ir ao Brasil, decidiu aceitar. Sua patrocinadora era a viúva Sarah Kalley. Salomão foi a Escócia conhecer pessoalmente Sarah e ficou combinado que ele teria as despesas de viagem e o sustento de um ano, garantido para seu início de trabalho.
Como primeira etapa da viagem, Salomão foi para Portugal e se hospedou na casa de José Luiz Fernandes Braga, que estava na Europa para tratamento de saúde. Nesse período Salomão inicia o aprendizado da língua portuguesa e, depois de 2 meses. segue para o Brasil. Como companherio de viagem no navio estava Henry Maxwell, que tinha seu campo de atuação em Portugal. Maxwell veio ao Brasil para uma série de palestras a convite da Igreja Congregacional, Fernandes Braga foi importante para que todos os detalhes dessa viagem pudessem ser providenciados.
No Brasil, Ginsburg aprimora seus conhecimentos da lingua portuguesa na escola fundada por Eduardo Lane em Campinas. Lá encontra outros missionários americanos e o recém convertido, ex-padre, Antonio Teixeira de Alburqueque.
Salomão auxilia nos trabalhos da igreja Congregacional no Rio de Janeiro, Niteroi, Campos (RJ) e na igreja de Recife, durante o período em substituiu a Rev. Fanstone que tinha ido a Inglaterra.
Após o período combinado com Sarah, Salomão começa a trabalhar com os missionários batistas que estavam na Bahia e torna-se um grande cooperador, adotando a doutrina de batismo por imersão. Entre as pregações atuava também como colportor da Sociedade Bíblica Britânica, dessa forma teve oportunidade de viajar muito pelo Brasil.
Em uma de suas viagens batiza o jovem Emilio Kerr, que passa a ser companheiro de viagem de Salomão no nordeste. Em Recife Salomão participa da criação do Colégio Batista junto com outros missionários, sendo Emilio Kerr designado como secretario do colégio. Um dos professores do colégio foi Alfredo Freyre, pai de Gilberto Freyre. Alguns anos mais tarde o colégio passa a oferecer também curso de teologia, e em 1917 forma a primeira turma de pastores batista do colégio em Recife. Os alunos da primeira turma foram Gilberto Freyre, Tertuliano Cerqueira, Fernando Wanderley, Antonio Neves Mesquista e Manoel Dias.
Gilberto Freyre abandona o ministério um ano depois de formado, Tertuliano vai estudar medicina e exerce as duas profissões, médico e pastor, casa com Sidrônia Gueiros, neta de Francisco e D. Rita Gueiros, lá de Garanhuns, como foi contado no texto anterior. Tia Gesse, casada com Gerson Kerr, é filha de Tertuliano e Sidrônia, mora em São Paulo, e uma das suas grandes alegrias é anunciar o evangelho.
Emilio Kerr, cometeu alguns erros na sua vida pessoal, se afastou da igreja por um tempo, mas em 1925 foi re-integrado e concluíu sua formação teológica, se tornando pastor batista muito ativo em SP.
Em outra ocasião, Salomão Ginsburg recebeu um pedido de auxílio pastoral feito por Christiano Cesar, da região do Alto Jequitibá/MG, e foi trabalhar na comunidade dos imigrantes, que começava a se dispersar da fé de seus pais, pois não havia igreja nem pastor naquela região. Salomão trabalhou alguns meses, volta ascender o interesse do povo pelo evangelho, contudo a forma de batismo que Salomão adotara não agradou aos imigrantes suiços e alemães. Salomão prosseguiu seu trabalho em outras comunidades, mesmo assim o caminho estava aberto e a falta de pastor e igreja incomodava mais ainda algumas famílias.
Um ano depois chega à Alto Jequitiba o Rev. John Kyle, convidado por Henrique Eller, trabalha por algum tempo na região, começa a construção de uma igreja e, após mais um bom tempo de espera, o jovem Mathatias Gomes do Santos, recém formado no seminário de Campinas, é designado como primeiro pastor oficial para região.
Além da cidade de Brotas/SP, essa região, Alto do Jequitiba, foi origem de personagens de grande valor na evangelização do nosso país. Familias como Eller, Cesar, Gripp, Werner, Sathler, Heringer, Leitão, etc.. espalharam o sal ali, mais adiante e além.
Para encerrar esse breve resumo sobre Salomão Ginsburg, a sua contribuição como músico, compositor de hinos merece destaque. Ao lado de Sarah Kalley, H. Maxwell e Manoel Antonio de Menezes. Entre os hinos escritos em português, esses autores contribuiram com muitas melodias e versos que estão guardados em nossas mentes.
Um dia ainda iremos cantar todos juntos.