Espalhando o sal 16 – Entradas e Bandeiras
Na época que existia o curso ginasial, Entradas e Bandeiras era um dos tópicos dos livros de História do Brasil, e que contava como o território brasileiro, que inicialmente foi delimitado pelo Tratado de Tordesilhas, acabou tendo sua linha de fronteira imaginária entre as terras de Portugal e Espanha empurrada pela América do Sul a dentro, com ação direta dos bandeirantes.
De semelhante modo, os colportores cruzaram o território nacional, de barco, trem, mula, cavalo e a pé, jogando sementes da Palavra de Deus, sendo responsáveis pelo nascimento das igrejas nos locais mais remotos de nosso país.
Algumas sementes cairam em solo fértil, outras em pedra, outras em espinhos, mas até mesmo algumas que cairam (ou “foram caídas”) nas águas, floreceram. Os colportores passaram por Brotas/SP
Brotas foi um terreno fértil, mais que isso, se tornou numa fábrica de semeadores, a partir das sementes plantadas por William Pitt, Blackford, Simonton, Lennington, José Manuel da Conceição e com continuidade pelas famílias dos Cerqueira Leite, Gouvea, e muitos outros descendentes.
Uma história da região de Brotas entrou para minha coleção, foi contada por Rubens Amorese, a respeito de seus antepassados.
Manoel Pereira de Toledo Magalhães.
Veio do sul de Minas Gerais com seu pai Beraldo, para a região de Brotas e Jaú, por volta de 1853. Foi batizado e professou a fé em Brotas, SP. Eleito presbítero em 3/10/1875, foi empossado em 20/2/1876, em cerimônia dirigida pelo pastor da Ig.Presb.de Brotas, Rev. Antonio Bandeira Trajano. Uma de suas netas escreveu:
“… vô Manoel foi a Brotas (interior de SP) para dar fim a um certo templo “daquela gente protestante”. Ouviu um hino … resolveu esperar na porta com seus capangas até que a música acabasse. Na seqüência o pastor, de voz trêmula, falou… ele resolveu, então, esperar pelo final do “discurso”… “ teve sua vida transformada.
Dessa forma foi que grande parte de sua descendência se tornou evangélica.
Entre os muitos descendentes de Manoel Pereira de Toledo Magalhães houve união com os Cerqueira Leite (que formaram laços familiares com os Kerr) e com a família de Garcia Nogueira, que formaram laços afetivos desde os anos de 1920.
Rev. Rodolfo G. Nogueira foi presidente da Sociedade Bíblica do Brasil(SBB) na década de 1970. Muito tempo depois, já com 86 anos, visitou a SBB em sua nova Sede em Barueri, e ficou sabendo que havia um Kerr trabalhando no escritório, fez questão de me conhecer pessoalmente e vibrou ao saber que eu era neto do Rev. William Kerr, seu professor de hebraico no seminário. Voltou mais uma vez alguns meses depois e me trouxe um presente de Natal. Faleceu com quase 90 anos.
Até hoje tenho na memória a alegria demonstrada pelo Rev. Rodolfo e dos breves minutos em que contou histórias do seu tempo de estudante e sua admiração pelo mestre querido.