Espalhando o sal 15 – “Pedro Feliz”
“O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor e o Seu poder e as maravilhas que fez.” Salmo 78:3,4
Frederick Glass, era inglês, nasceu em 1870, faleceu no Rio de Janeiro com 90 anos.
Em 1892 veio ao Brasil por intermédio de uma companhia britânica, trabalhando para mineração S. João Del Rei, na cidade de Morro Velho/MG. Logo em sua chegada, Glass é preso acusado de participar de revolta. Fica uma noite na prisão. Este evento iria marcar sua vida para sempre. Solto no dia seguinte, Glass começa a trabalhar em MG.
O tempo passou, quase dois anos, e através de um canadense, Reginald Young, Glass deixa de ser um “frequentador de igreja” e se torna em colportor. Apesar de conhecer a Bíblia desde de criança e de ter sido um “cristão social”, até ali sua vida era sem forma e vazia, a igreja era semelhante a um clube semanal de encontro com amigos. Como colportor, Glass entra para Sociedade Bíblica Britânica e logo depois para agência missionária Help for Brazil que em 1911 se funde com a UESA (União Evangélica para America do Sul). Help for Brazil, como já dissemos anteriormente foi fundada por Sarah Kalley, Hudson Taylor, James Fanstone e outros.
Durante sua vida de colportor morou em Vila Boa de Goias(antiga capital do estado de GO), Garanhuns/PE, São Paulo e Rio de Janeiro, mas suas viagens foram inúmeras, não só nas cidades, mas também em aldeias de índigenas, chegando inclusive a apreender algumas línguas indígenas.
Quando chegava a uma cidade Glass tinha o hábito de visitar as cadeias, falando não só aos presos mas também aos soldados. Em 1902, em uma de suas viagens, chega a capital de Goias, Vila Boa de Goias. Na visita que faz a cadeia local, vende uma Bíblia a Pedro Felix Alves, (detalhe: Pedro não sabia ler), que tinha recebido uma sentença de 30 anos por roubo seguido de morte. Embora fosse inocente, o sujeito que realizou o crime, havia morrido impossibilitando a inocência de Pedro, ele estava preso desde 1887.
Em 1904 volta a capital de Goias, desta vez para montar o escritório de colportagem. Lembrando de sua visita a cadeia, retorna ao local e fica sabendo que Pedro aprendera a ler, e pregava o evangelho aos presos.
Glass reside por dois anos no local e visita regularmente Pedro, a quem chamava de Pedro Feliz, que estava sempre sorrindo. Ao deixar a cidade em 1906, a primeira igreja Evangélica estava criada, os primeiros membros eram cinco soldados e três prisioneiros. Pedro, recebeu o perdão do Governador de Goias, algo muito raro na época, e foi eleito diácono da igreja.
Anos mais tarde, Glass foi convidado para cerimônia de batismo do filho de Pedro Feliz. Muitas outras igrejas nasceram ao redor daquele polo, através do trabalho ods colportores liderados por Glass.
O irmão de Glass, quando conheceu suas histórias decide vir ao Brasil (ele morava na Nova Zelandia) e passa a fazer companhia a seu irmão. Entre as tribos visitadas, destaca-se as visitas aos Carajás e Carijós.
Frederick Glass tem dois livros escritos, Adventures with the Bible in Brazil (1914) e Through Brazilian Junglelands wiht The Book (1920). Para quem quer conhecer boas histórias da colportagem, é uma leitura deliciosa.