Espalhando o sal 14 — Rio abaixo
Começo com duas narrativas de trabalho de colportores anônimos.
Pelo menos duas igrejas no nordeste do Brasil tiveram início semelhantes:
1- Piauí
Esse relato feito por Richard Sturz, conta como uma simples leitura da Bíblia, que havia sido retirada do rio Parnaiba, quando o padre da cidade de Uruçui decidiu jogar no rio todas as Bíblias que foram adquiridas por seus paroquianos. O ano da história está entre 1910 e 1920. Aconteceu que um colportor (só Deus sabe do seu nome) passou pela cidade de Uruçui, Piauí, vendendo Bíblias. Quando o sacerdote local descobriu que algumas pessoas tinham comprado, ele convocou a todos e exigiu que as Bíblias fossem entregue a ele. O padre se comprometeu a fornecer Bíblias católicas para aqueles que compraram do colportor um exemplar. No entanto, isso nunca foi feito.
Após recolher todas as Bíblias o padre lançou os livros no rio Parnaiba. Alguns kms rio abaixo, alguns homens estavam nadando e viram um objeto flutuando. Um deles recolheu uma Bíblia. Levou para casa e secou. Porém, nem ele nem os outros adultos na pobre localidade sabiam ler. O que estaria escrito no livro que chegou flutuando?
2- Bahia
Faço um resumo do que foi relatado pelo Pastor Adventista, Plácido da Rocha Pita, escrito em suas memórias em 1947, e publicada no livro “Por que mudei de exército”, pela Casa Publicadora Brasileira, Santo André/SP 1985.
Na cidade de Santa Maria de Vitória, em 1908, um desconhecido, um colportor vendeu 8 Biblias, apesar de ser na versão de Figueredo e inclusive ter o carimbo da Igreja Católica, Imprimatur, o padre recolheu todos livros e jogou no rio Corrente, afluente do S. Francisco, próximo a cidade conhecida como Porto Novo. Um barqueiro que carregava rapadura viu o padre jogar no rio os livros e pensou consigo mesmo: “Devem ser livros perversos, o santo padre está jogando no rio”.
O barqueiro terminou seu trabalho à noite. Quando o dia começou, soltou seu barco sobre as calmas águas claras do rio Corrente. Duas léguas abaixo, o barqueiro viu um embrulho no fundo raso do rio e com o remo empurrou com força o livro embrulhado para margem. A força da “remada” molhou uma parte do livro e após secar, as folhas ficaram enrugadas, depois de seco o “defeito” no livro fazia com que ele se abrisse sempre no mesmo local, capítulo 20 de Êxodo.
O livro foi dado ao cunhado de Plácido, Joaquim Matos, muitos vieram ler o misterioso livro, todos começavam a leitura pelas páginas enrugadas, os 10 Mandamentos. Foi formada uma comunidade adventista, que recebia visitas pastorais a cada 4 ou 5 anos, e assim foi até 1947 quando finalmente foi designado um pastor para localidade
O escritor deste relato, Pastor Pita, deixa uma grande interrogação de como seria possível o livro descer o rio por duas léguas durante a noite, e somente na hora em que foi retirado bruscamente com o remo é que tem suas páginas molhadas. A próposito, o colportor nunca retornou aquela localidade.