Espalhando o sal 14 — Rio abaixo

2008 Novembro 4

Começo com duas narrativas de trabalho de colportores anônimos.

Pelo menos duas igrejas no nordeste do Brasil tiveram início semelhantes:

1- Piauí

Esse relato feito por Richard Sturz, conta como uma simples leitura da Bíblia, que havia sido retirada do rio Parnaiba, quando o padre da cidade de Uruçui decidiu jogar no rio todas as Bíblias que foram adquiridas por seus paroquianos. O ano da história está entre 1910 e 1920. Aconteceu que um colportor (só Deus sabe do seu nome) passou pela cidade de Uruçui, Piauí, vendendo Bíblias. Quando o sacerdote local descobriu que algumas pessoas tinham comprado, ele convocou a todos e exigiu que as Bíblias fossem entregue a ele. O padre se comprometeu a fornecer Bíblias católicas para aqueles que compraram do colportor um exemplar. No entanto, isso nunca foi feito.

Após recolher todas as Bíblias o padre lançou os livros no rio Parnaiba. Alguns kms rio abaixo, alguns homens estavam nadando e viram um objeto flutuando. Um deles recolheu uma Bíblia. Levou para casa e secou. Porém, nem ele nem os outros adultos na pobre localidade sabiam ler. O que estaria escrito no livro que chegou flutuando?

Havia uma jovem, cerca de 12 a 13, (também não conhecemos seu nome) que sabia ler, e foi assim que um grande número de adultos se reuniam durante a noite e, a menina começou a leitura daquele livro, a partir do Gênesis.
Alguns meses depois o Pastor Jonas B. Macedo, que tinha uma igreja a 500 km dali, passa pela cidade de Uruçui e resolve pregar na praça. Foi convidado a se retirar mas falaram que numa localidade perto dali havia pessoas que “falavam” igual a ele. Jonas Macedo chegou na localidade e … resumindo … fundou a primeira igreja Batista em Uruçui.

2- Bahia

Faço um resumo do que foi relatado pelo Pastor Adventista, Plácido da Rocha Pita, escrito em suas memórias em 1947, e publicada no livro “Por que mudei de exército”,  pela Casa Publicadora Brasileira, Santo André/SP 1985.

Na cidade de Santa Maria de Vitória, em 1908, um desconhecido, um colportor vendeu 8 Biblias,  apesar de ser na versão de Figueredo e inclusive ter o carimbo da Igreja Católica, Imprimatur, o padre recolheu todos livros e jogou no rio Corrente, afluente do S. Francisco, próximo a cidade conhecida como Porto Novo. Um barqueiro que carregava rapadura viu o padre jogar no rio os livros e pensou consigo mesmo: “Devem ser livros perversos, o santo padre está jogando no rio”.

O barqueiro terminou seu trabalho à noite. Quando o dia começou, soltou seu barco sobre as calmas águas claras do rio Corrente. Duas léguas abaixo, o barqueiro viu um embrulho no fundo raso do rio e com o remo empurrou com força o livro embrulhado para margem. A força da “remada” molhou uma parte do livro e após secar, as folhas ficaram enrugadas, depois de seco o “defeito” no livro fazia com que ele se abrisse sempre no mesmo local, capítulo 20 de Êxodo.

O livro foi dado ao cunhado de Plácido,  Joaquim Matos, muitos vieram ler o misterioso livro, todos começavam a leitura pelas páginas enrugadas, os 10 Mandamentos. Foi formada uma comunidade adventista, que recebia visitas pastorais a cada 4 ou 5 anos, e assim foi até 1947 quando finalmente foi designado um pastor para localidade

O escritor deste relato, Pastor Pita, deixa uma grande interrogação de como seria possível o livro descer o rio por duas léguas durante a noite, e somente na hora em que foi retirado bruscamente com o remo é que tem suas páginas molhadas. A próposito, o colportor nunca retornou aquela localidade.

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