Espalhando o sal 13 — 50 anos em 1

2008 Novembro 3

Nascido nos EUA, o pastor da Igreja Metodista Daniel Kidder morou no Brasil antes da chegada de Fletcher em 1848 ( Kalley em 1855). Era representante da Sociedade Bíblica Americana. Quando aqui chegou em 183, não havia sido escrita a encíclica de Pio IX, e os ânimos contra a distribuição das Escrituras Sagradas não estavam ainda exaltados. Para dar início ao seu trabalho Kidder publicou em 12 de dezembro de 1837 um anúncio no “Jornal do Comércio”, em São Paulo, que dizia:
“Vende-se por 1$000 [um mil réis], na rua Direita, n° 114, o Novo Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, traduzido pelo Ver. Padre Antonio Pereira de Figueiredo. Este livro é muito recomendável a todos os mestres e diretores de aulas e colégios do Império do Brasil, para o adotarem como livro de instrução para os seus alunos, porque nele se acha o tesouro mais precioso que o homem pode exigir neste mundo. Ele é a fonte de luz, a fonte da moral, a fonte de virtude, a fonte de sabedoria”.

Kidder não obteve muito sucesso comercial. Viajou durante 3 anos por todo o território nacional, levava uma pequena quantidade das escrituras, algumas eram vendidas, outras eram doadas. Esse era o trabalho de um colportor, não apenas distribuir um produto comercialmente, é bem mais que isso, era propagar as idéias, e, se necessário for, doar o produto.

Como resultado de suas viagens e observações dos costumes do povo, da cultura, da arquitetura e da geografia de nosso país, Kidder escreveu dois livros que vieram a se tornar muito conhecidos no Brasil e no exterior. O primeiro foi “Sketches of Residence and Travel in Brazil” (em dois volumes, 1845), no Brasil foi traduzido como “Reminiscência de viagens e permanência nas províncias do norte do Brasil”. Mais tarde, em 1865, escreve junto com Fletcher “Brazil and the Brazilians Portrayed in Historical and Descriptive Sketches“, traduzido com o título de “Brasil e os Brasileiros (esboço histórico e descritivo)”.

Kidder pregava o Evangelho quando havia oportunidade durante suas viagens, entre outros registros, há um da conversão de um família de Campinas em 1838, quando passou por aquela região, no entanto em termo de quantidade das escrituras distribuídas, sua ação foi limitada.

Segundo o levantamento de João Gomes da Rocha, autor da obra “Lembranças do Passado”, e baseado nos relatórios das Sociedade Bíblicas Americana e Britânica, de 1804 até a chegada de Kalley em 1855, a Sociedade Bíbílica Britânica enviou 2.500 escrituras (Bíblias e Novos Testamentos) ao Brasil, sendo que uma parte delas era em alemão e inglês. A Sociedade Bíblica Americana teria enviado 1.500 escrituras nesse mesmo período.

Com a chegada das famílias de madeirenses, em 1856, e com a necessidade de dar alguma atividade comercial aos três chefes de famílias, Kalley adquire junto a Sociedade Bíblica Britânica um bom volume das Escrituras, e Francisco da Gama, Francisco de Sousa e Manuel Fernades se tornam colportores no Brasil.

O preço de cada Bíblia era em torno de 2$000 réis, ou dois mil réis, o Novo Testamento, em torno de 400 réis. Como comparação temos o preço da saca de café, 60 Kg, em torno de 18$000 réis, e um café nos botecos da capital custava em torno de 40 réis (10 cafezinhos equivaliam a um Novo Testamento). Um livro comun custava nas livrarias do Rio de Janeiro entre 1 e 2 mil réis, mas tinham em geral, um número bem menor de páginas do que a Bíblia completa.

Em relatório feito por Francisco da Gama, em 1862 e contabilizado por João Gomes da Rocha, no capítulo II do primeiro volume de sua obra (Lembranças do Passado), em 5 anos de colportagem patrocinada por Kalley, foram distribuídos mais de 20.000 Escrituras. A propósito, o número de colportores começou com 3, mas cresceu rapidamente conforme iam ocorrendo as conversões. Os primeiros eram ligados a Kalley, mais tarde com a chegada de Simonton, em 1859, essa prática cresceu ainda mais rapidamente. As histórias relatadas pelos colportores são impressionantes, algumas foram contadas em publicações recentes, mas infelizmente, pouco divulgadas.

No próximo texto, vou reproduzir alguns relatos da saga dos colportores, mas para terminar o capítulo de hoje, destacamos que entre os indicadores mencionados, nos primeiros 5 anos de Kalley junto aos colportores (iniciando em 1856), as Escrituras que foram distribuídas em nossa pátria somaram 5 vezes mais do que as que foram enviadas ao Brasil nos primeiros 50 anos de existência da Sociedade Bíblica Britânica (e 40 anos de existência da Sociedade Bíblia Americana).

No avanço do Evangelho e distribuição das Escrituras Sagradas, em média, foi feito em 1 ano, mais do que foi feito nos primeiros 50 anos do sec. XIX

Uma resposta leave one →
  1. 2008 Novembro 6
    edukerr permalink

    Existe dados conflitantes com os relatórios feitos por João Gomes da Rocha, com a informação de que a Sociedade Britânica teria impresso 12.000 escrituras em português entre 1808 e 1840, no entanto, provavelmente, esse volume não foi, necessariamente, enviado ao Brasil.

    Alguns dados exagerados estimam em 12.000 escrituras. Em 1932 um outro relato fala em 6000 Bíblias em português produzido por 3 Sociedades Bíblicas (Americana, Britânica e a Escocesa). Devemos levar em conta também que uma boa parte dessa produção teria ido para Ilha da Madeira

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