Aprendendo a contar histórias

Espalhando o sal – 10

4 Julho, 2008 · 1 Comentário

Edward Lane e George Morton chegaram juntos a Campinas. Construiram a Primeira Igreja Presbiteriana e o Colégio Internacional. Enfrentaram problemas na construção. Não conseguiam tijolos!!!. Mas Deus separou a dedo a pessoa que estaria à frente do trabalho,  Edward Lane. Ele nasceu na Irlanda, ficou órfão a primeira vez de seus pais ainda bem menino. Foi adotado por um casal na Irlanda. Sua nova família resolve imigrar para os EUA.

Chegando na América, fica órfão pela segunda vez. Um médico adota o menino Edward, e durante algum tempo sua vida melhora. Entrando na sua mocidade fica órfão pela terceira e última vez. Para continuar seus estudos, trabalha como auxiliar em uma olaria. Decide ser pastor e ingressa no seminário. Quando já estava terminando o seu curso, começa a Guerra Civil Americana, Edward trabalha como assistente de enfermagem nos campos do sul. Certamente esse tempo como enfermeiro, foi de grande importância quando cuidou dos enfermos na epidemia de Campinas. Bom, após essa introdução, voltemos aos tijolos que permitiram a construção.

Quando surgiram as dificuldades de material de construção, Edward escreve para seu antigo chefe na Olaria, nos EUA, pedindo ajuda e conselhos, e naquele momento, é informado que a máquina que produzia tijolos tinha acabado de ser substitíida por uma mais nova. Lane ganha de presente a máquina em que trabalhou por alguns anos. Depois de resolver os problemas de logísitica de transportar e instalar a máquina em Campinas, mais um probleminha. Ninguém sabia operar aquele equipamento! Edward, coloca a mão no barro, e começa a produção dos tijolos. Obra acabada, máquina operando, a olaria começa a produzir tijolos de forma comercial. Ainda hoje há uma ponte sobre o córrego da Av. Orozimbo Maia com tijolos produzido por Lane.

O Colégio Internacional de Campinas fica famoso. D. Pedro II visita a instalação por duas vezes. Muitos missionários, das mais variadas denominações, frequentam a escola em Campinas para aprimorar o conhecimento do idioma portuguès. Na década de 1880-1890, acontece a epidemia. Morton vai para São Paulo e cria uma nova escola, nos mesmo moldes de Campinas, onde aliás, Alberto Santos Dumont é aluno por algum tempo.

Lane, apesar de tudo, permanece em Campinas. Em uma de suas viagens ao EUA, faz apelo para que mais misssionários e professores viessem ao Brasil. Entre os que atenderam o seu apelo estavam Gammon, Eliza Reed e Carlota Kemper. Gammon cria o Instituto em Lavras em 1894, Carlota passa a ser uma de suas professoras em Lavras depois do falecimento de Lane. Eliza Reed vai para Recife, participa da criação da escola americana junto com outra missionária, Winona Evans. Winona se casa com o jovem Rev. Henry McCall. Por causa do trabalho iniciado por McCall em Garanhus, e continuado por Butler, o trabalho missionário se multiplica, e lá são criado uma escola e um seminário. Eliza mora por alguns anos em Garanhuns, mas por motivo de saúde vai ao EUA. No retorno ao Brasil é convidada para dirigir o recém-criado colégio americano em Natal, RN. Em 1904 volta a morar em Recife e cria o Colégio Americano, que alguns anos mais tarde é rebatizado com o nome de Colégio Evangélico Agnes Erskine.

Mas o legado de Lane, vai mais além. Os Lanes doaram o terreno onde hoje funciona o Seminário Presbiteriano de Campinas, seu filho, e depois os netos, se fixaram em Campinas.

Dr. Eduardo Lane III e Dr. John Lane (netos de Edward Lane), estudaram medicina. Dr. John foi amigo de meu pai na mocidade e na minha adolescência remendou minha cabeça. Foi na época em que passava férias na casa dos primos em Campinas e consequência de uma exibição desastrada de bicicleta, quando atropelei uma charrete e aterrisei sem trem de pouso no asfalto da rua Barbosa da Cunha.

William Lane é pastor, filho do Dr. Eduardo Lane III, participou dos trabalhos de tradução da Biblía na Versão Internacional(NIV) para o português, William é um bom menino, tem alguns anos a menos que eu, mas também tem menos cabelo.

Todos os Lanes com quem já tive o  prazer de conviver devem ter alguma herança genética com o gene da simpatia, ativo e dominante.

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1 resposta Até agora ↓

  • Rev. Caleb Castellani // 30 Setembro, 2008 às 12:14 am | Responder

    Caro Presb. Eduardo,

    Apreciei imensamente seu Blog com estas histórias inesquecíveis de seus parentes que fizeram parte da Igreja Nacional.

    Parabéns pela iniciativa. Quero continuar lendo outras histórias que certamente vc tem em sua coleção.

    Abraços,
    Pr. Caleb

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