Aprendendo a contar histórias

Edward, Álvaro e William

26 Junho, 2008 · 5 Comentários

Cada uma das pessoas mencionandas no título, Edward Lane, Álvaro Reis e William Cleary Kerr, merecem biografias separadas, algumas já foram escritas e publicadas (Rev. Edward Lane e Rev. Álvaro Reis), no caso de William C. Kerr, alguns já escreveram, mas desconheço que tenha sido publicado. Meu primo Flavio está envolvido na compilação de histórias para escrever e publicar do vô William, mas como se trata de uma prazer e não obrigação, não tem tempo para terminar.

Nas pesquisas feitas até agora, consta que a primeira biografia do Rev.  Edward Lane, foi escrita pelo Rev. Herculano de Gouveia, que alias escreveu também a primeira biografia de Rev. João DaGama. Herculano é fruto da pregação de Conceição, Blackford e Pitt, na cidade de Brotas, foi batizado por Rev. João DaGama em Rio Claro (irmão de Francisco da Gama), foi aluno de Edward Lane, casado com Elvira Cerqueira Leite, cursou seminário de Campinas na turma de Álvaro Reis.

Edward Lane, tem uma história de vida inspiradora, a superação da adversidade começa a ser forjada na infância ainda na Irlanda e o acompanha durante sua vida toda, a dedicação ao ministério e ao ensino nas escolas que ajudou a construir, dedicação aos missionários que se sentiram tocados em suas palestras e resolveram vir ao Brasil, entre eles Carlota Kemper, Elisa Reed e Rev. Gammon, e  a obra construida por ele e seus descendentes ainda testificam hoje o seu amor ao evangelho. Realizou o casamento de Alvaro Reis e foi mestre muito querido por todos seus alunos. Enfrentou a febre amarela em Campinas até o fim de suas forças. Providenciou a retirada de todos os professores e missionários de Campinas, ficando praticamente só com a ajuda da valente Carlota Kemper, entre os que foram poupados da epdemia estavam os Sydenstrikers, seu filho Eduardo Lane, Gammon e sua ajudante Carlota.

Álvaro Reis e Mariquinha, não tiveram filhos naturais, mas criaram 14 crianças adotivas, quando menino ficou orfão  muito cedo, nascido na igreja logo se afastou, sendo alcançado pela misericórdia de nosso Deus através das pregações de Edward Lane e Rev. John Boyle. Já como pastor no Rio, em 1910, criou o Orfanato Presbiteriano, que teve início na sua casa, a casa pastoral da igreja que dirigia, hoje a Catedral Presbiteriana do Rio de janeiro. Espalhou o sal e transformou vidas, mudou a vida e William Kerr, meu avô.

William nasceu dia 11 de agosto, dia 12 era aniversário de sua irmã Elisa, quando criança disseram para Elisa que William era seu presente de aniversário. Elisa foi eterna protetora e defensora de seu irmão caçula. Morando em Santos, Elisa começa a levar William a igreja Episcopal, onde Rev. F. Holms e o Rev. Joseph Orton eram pastores. Orton era inglês, cresceu em Recife e através de Sarah Kalley, a Missão Help for Brazil indicou-o para igreja Congregacional em Recife. Após um tempo em Pernambuco Orton vem para o sul, trabalhar com Rev. J. M Gonçalves dos Santos, o sucessor de Kalley na Igreja Congregacional do Rio. Em uma das viagens que fizeram juntos foram perseguidos por 200 fanáticos na cidade de Mangaratiba, Deus os protegeu.

Voltando a transformação do meu avô de futuro marinheiro em pastor e professor de hebraico. Em 1907, ainda em Santos, meu avô William faz sua profissão de fé na Igreja Anglicana de Holm e Orton, com a presença do bispo Rev. Edward Every.

Mas William sonhava com o mar, possivelmente desde que sua “esquadra de tamancos de madeira”, um dos seus brinquedos favoritos, foi tirado dele para virar lenha de fogão para terminar um doce de abóboras, Elisa é claro que protestou em defesa de seu irmão, mas o doce venceu. William arrumou emprego em Liverpool, na Inglaterra, e já estava com passagem nas mãos quando desistiu de viajar, pelo menos adiou.

Hum…. tem mais história, depois conto porque William adiou a viagem, e novamente pontas do novelo dessas histórias se entrelaçam.

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