Salomão Ginsburg, era polonês, judeu, e se converteu ao Evangelho na Inglaterra. Após sua conversão entrou para o seminário. Quando estava para se formar, sentiu o desejo de realizar missões, foi convidado para trabalhar na Jamaica, na Índia e quando surgiu o convite para ir ao Brasil, decidiu aceitar. Sua patrocinadora era a viúva Sarah Kalley. Salomão foi a Escócia conhecer pessoalmente Sarah e ficou combinado que ele teria as despesas de viagem e o sustento de um ano, garantido para seu início de trabalho.
Como primeira etapa da viagem, Salomão foi para Portugal e se hospedou na casa de José Luiz Fernandes Braga, que estava na Europa para tratamento de saúde. Nesse período Salomão inicia o aprendizado da língua portuguesa e, depois de 2 meses. segue para o Brasil. Como companherio de viagem no navio estava Henry Maxwell, que tinha seu campo de atuação em Portugal. Maxwell veio ao Brasil para uma série de palestras a convite da Igreja Congregacional, Fernandes Braga foi importante para que todos os detalhes dessa viagem pudessem ser providenciados.
No Brasil, Ginsburg aprimora seus conhecimentos da lingua portuguesa na escola fundada por Eduardo Lane em Campinas. Lá encontra outros missionários americanos e o recém convertido, ex-padre, Antonio Teixeira de Alburqueque.
Salomão auxilia nos trabalhos da igreja Congregacional no Rio de Janeiro, Niteroi, Campos (RJ) e na igreja de Recife, durante o período em substituiu a Rev. Fanstone que tinha ido a Inglaterra.
Após o período combinado com Sarah, Salomão começa a trabalhar com os missionários batistas que estavam na Bahia e torna-se um grande cooperador, adotando a doutrina de batismo por imersão. Entre as pregações atuava também como colportor da Sociedade Bíblica Britânica, dessa forma teve oportunidade de viajar muito pelo Brasil.
Em uma de suas viagens batiza o jovem Emilio Kerr, que passa a ser companheiro de viagem de Salomão no nordeste. Em Recife Salomão participa da criação do Colégio Batista junto com outros missionários, sendo Emilio Kerr designado como secretario do colégio. Um dos professores do colégio foi Alfredo Freyre, pai de Gilberto Freyre. Alguns anos mais tarde o colégio passa a oferecer também curso de teologia, e em 1917 forma a primeira turma de pastores batista do colégio em Recife. Os alunos da primeira turma foram Gilberto Freyre, Tertuliano Cerqueira, Fernando Wanderley, Antonio Neves Mesquista e Manoel Dias.
Gilberto Freyre abandona o ministério um ano depois de formado, Tertuliano vai estudar medicina e exerce as duas profissões, médico e pastor, casa com Sidrônia Gueiros, neta de Francisco e D. Rita Gueiros, lá de Garanhuns, como foi contado no texto anterior. Tia Gesse, casada com Gerson Kerr, é filha de Tertuliano e Sidrônia, mora em São Paulo, e uma das suas grandes alegrias é anunciar o evangelho.
Emilio Kerr, cometeu alguns erros na sua vida pessoal, se afastou da igreja por um tempo, mas em 1925 foi re-integrado e concluíu sua formação teológica, se tornando pastor batista muito ativo em SP.
Em outra ocasião, Salomão Ginsburg recebeu um pedido de auxílio pastoral feito por Christiano Cesar, da região do Alto Jequitibá/MG, e foi trabalhar na comunidade dos imigrantes, que começava a se dispersar da fé de seus pais, pois não havia igreja nem pastor naquela região. Salomão trabalhou alguns meses, volta ascender o interesse do povo pelo evangelho, contudo a forma de batismo que Salomão adotara não agradou aos imigrantes suiços e alemães. Salomão prosseguiu seu trabalho em outras comunidades, mesmo assim o caminho estava aberto e a falta de pastor e igreja incomodava mais ainda algumas famílias.
Um ano depois chega à Alto Jequitiba o Rev. John Kyle, convidado por Henrique Eller, trabalha por algum tempo na região, começa a construção de uma igreja e, após mais um bom tempo de espera, o jovem Mathatias Gomes do Santos, recém formado no seminário de Campinas, é designado como primeiro pastor oficial para região.
Além da cidade de Brotas/SP, essa região, Alto do Jequitiba, foi origem de personagens de grande valor na evangelização do nosso país. Familias como Eller, Cesar, Gripp, Werner, Sathler, Heringer, Leitão, etc.. espalharam o sal ali, mais adiante e além.
Para encerrar esse breve resumo sobre Salomão Ginsburg, a sua contribuição como músico, compositor de hinos merece destaque. Ao lado de Sarah Kalley, H. Maxwell e Manoel Antonio de Menezes. Entre os hinos escritos em português, esses autores contribuiram com muitas melodias e versos que estão guardados em nossas mentes.
Um dia ainda iremos cantar todos juntos.
11 respostas Até agora ↓
Cassia // 13 Junho, 2008 às 10:30 pm |
Nossa como essa história esta ficando interessante… Até Gilberto Freyre!
Marcia Brochado Severino da Silva // 14 Junho, 2008 às 10:56 am |
Espalhando osal e se entrelaçando com tantas famílias que conhecemos hoje..
Parabéns pelas pesquisas
Lilian Kerr // 18 Junho, 2008 às 4:46 pm |
Estou sentindo-me como um “bacalhau” !!!!
Conheço grande parte desse sal espalhado por aí (e em mim tb).
Acho q é por esta razão q ainda estou tão “conservada”…
Bjs,
Lilian.
PS – Acho q de lá das bandas de Canhotinho (PE) tem história da família da Rosenda e D. Elena Bosak.
Tavinho // 26 Junho, 2008 às 3:52 pm |
KERRido Edu,
Incrível como esse mundo é pequeno e como o mundo evangélico se entrelaça!!
Parabéns, essa história está cada vez melhor!!
Continue “espalhando o sal”!!
Juscelino Mendes // 6 Janeiro, 2009 às 11:44 am |
Prezado Eduardo,
por que razão ao se falar de Salomão Ginsburg, e de seus feitos no Brasil, não se fala de seu lado obscuro como maçom e de suas atividades na Maçonaria? Isso, no mínimo, tem algum significado. Se a Maçonaria é algo bom para o cristão, isso deveria ser ressaltado em sua biografia; se não o é, também deveria ser mencionado, mesmo porque o manual de conduta e de vida eterna do cristão genuíno, a Bíblia, quando fala de algum personagem, informa tanto de seus feitos, quanto de seu pecados de modo a que a verdade se sobressaia. Devíamos seguir em tudo os princípios da Palavra de Deus.
Cordialmente em Cristo,
Juscelino
Juscelino Mendes // 6 Janeiro, 2009 às 11:46 am |
Corrigindo: “quanto de seus pecados.
edukerr // 6 Janeiro, 2009 às 12:04 pm |
Prezado Juscelino, nao sei informar porque os pesquisadores omiitiram essa informacao. Nao pertenco a maconaria, nao conhecia o fato que voce menciona, o que nao diminui meu respeito por Salomao Ginsburg. Sobre a maconaria, tenho minha posicao pessoal sobre o assunto. Quanto ao Salomao Ginsburg, acredito no que esta escrito na Palavra de Deus, “pelos seus frutos os conhecereis”. Salomao Ginsburg gerou muitos frutos, foi muito importante para igreja crista no Brasil, e tenho certeza que teve suas quedas e falhas, mas creio que seus frutos falam mais alto. O mesmo pode acontecer comigo, com voce e com qualquer outro cristao. Tambem nao foi diferente com Jaco, Rei Davi, com Rei Salomao, com Pedro, com Barnabe, com Paulo, etc.. todos nos dependemos da misericordia de Deus.
Juscelino Mendes // 6 Janeiro, 2009 às 5:55 pm |
Prezado Eduardo,
não desmereci os frutos de Salomão Ginsburg, mas chamei a atenção para um fato que julgo relevante: devemos dizer e informar o que a pessoa foi na sua inteireza, sob pena, de assim não o fazendo, ficarmos apenas com os seus (bons) frutos.
É comum em nosso meio evangélico a exaltação de pessoas, especialmente se são estrangeiras, e deixar Deus em segundo plano.
Exatamente pelos exemplos bíblicos que você aponta, que fiz as minhas considerações: a Bíblia sempre fala das pessoas em sua inteireza, virtudes e defeitos, a fim de que apenas o nome de Deus seja exaltado.
Leio em todos os lugares apenas exaltação ao autor de “um judeu errante no Brasil”,
como um dos pioneiros de excelência da evangelização no Brasil, mas nada (a não ser
por maçônicos enaltecendo as suas lojas) se fala a respeito de sua vida gasta na religião maçônica, absolutamente incompatível com os preceitos da Palavra de Deus.
Cordialmente,
Juscelino Mendes
ANA MARIA // 22 Janeiro, 2009 às 3:14 pm |
SALOMÃO MARCOU A HISTÓRIA !
QUEM DERA QUE OS HOMENS DE HOJE FOSSEM ASSIM TAMBÉM
ESPERO QUE ALGUÉM DA FAMILIA DELE SIGA O SEU EXEMPLO
ABRAÇOS
TIBURTINO COSTA LIMA GONZAG // 6 Junho, 2009 às 2:33 pm |
Achei interessante por demais tudo que li aqui sobre os primordios do evangelho no Brasil e gostaria de informar à Sra Lilian Kerr, que Rosenda Costa Lima era mãe de Elena Costa Lima Bosak, natural de Canhotinho,Pe, cidade pequena mas muito linda e de clima frio, bem proxima a Garanhuns no interior de Pernambuco. Ambas as cidades foram baluartes do evangelho na regiao Nordeste. Tendo sido o pastor e medico Dr George William Butler fundador da Igreja Presbiteriana de Canhotinho.O Rev Jeronimo Gueiros tambem foi um dos grandes pastores dessa regiao do Brasil.
Tiburtino Costa Lima Gonzaga,natural de Garanhuns, filho de Cyra da Costa Lima Gonzaga, natural de Canhotinho ( Sou neto de Tiburtino Vicente da Costa, marido de Rosenda e pai de Elena Bosak )
Fortaleza, Junho de 2009
gonzaga@grandesviagens.com.br
F
Rosenda Bosak // 22 Junho, 2009 às 8:33 pm |
Estou encantada com as pesquisas do Edu, de ver Lilian lembrando-se da mamãe e de Canhotinho, e com o meu primo Tiburtino (ele tem o mesmo nome do meu vô, e eu tenho o mesmo nome da minha vó). De fato, as famílias evangélicas acabam se entrelaçando, por amizade ou laços de sangue mesmo. As histórias do missionário Rev. George Butler no nordeste do Brasil, incluindo a conversão do meu vô, estão descritas no livro “A Bíblia e o Bisturi”, do Rev. Edijece Martins. Edu, se você quiser te mando um exemplar. Lá conta como meu vô matou um homem, foi operado pelo Rev. Butler, sobreviveu, conheceu o evangelho, teve uma visão, e aceitou Jesus Cristo como seu Salvador. Os frutos são minha família, e todos aqueles que tivemos o privilégio de levar a conhecer o Senhor Jesus.
Beijos e saudades