Espalhando o sal - 1 26 Março, 2008
Posted by edukerr in livro.Tags: colportor, Emanuel Pires, evangelho, Ferreira Fernades, Havai, Kalley, Tolentino, ukulele
trackback
Encontrei essa expressão na coleção de livros (4 volumes) “Lembranças do passado”, compilado por João Gomes da Rocha, que simboliza o ministério de Kalley no Brasil.
Além de JG Rocha, muitos outros colaboradores se esforçaram por transmitir como foi a divulgação do Evangelho ao longo dos 18 anos em que Robert e Sarah Kalley residiram no Brasil, mas não foi/é uma tarefa fácil. A transformação na vida das famílias atingidas pelo Evangelho escapam a percepção até de leitores mais cuidadosos.
Robert e sua esposa, são considerados como os pioneiros em um trabaho sistematico, estruturado e duradouro em nosso país. Mas antes de sua vinda ao Brasil, uma pequena ilha do Atlantico teria um papel de destaque na propagação do evangelho no Brasil, e até do outro lado do planeta, numa outra ilha, no meio do Pacífico. Os convertidos da Madeira foram exilados em 1846 mas continuaram a ser “luz do mundo” e “sal da terra”, e sem perder o sabor, continuam, através de seus descendentes e dos frutos de seus trabalhos, a merecer nossas homenagens.
O livro de Ferreira Fernandes, Madeirenses Errantes, conta que entre os exilados da época dos Gama estava Nicolau Tolentino Vieira, que foi para Illinois e de lá acabou indo trabalhar no Havai, junto com um grande número de trabalhadores madeirenses. Alguns costumes madeirenses foram incorporados pelos nativos, e até o famoso instrumento musical havaiano, Ukulele, teve origem no instrumento “machete de braga” trazido pelos madeirenses nos anos de 1870, (no Brasil virou Cavaquinho). Mas não parou por ai as influências dos exilados, com tanto madeirenses juntos(mais de 400), não tardou a surgir o “efeito sal da terra”. Em 1890 um dos discípulos de Kalley, exilado em 1846, Rev. Emanuel Pires, (que já havia sido pastor em SP, RJ e MG) vai ao Havai com outros dois madeirenses e fundam a Igreja Evangélica em Honolulu.
O autor do livro pesquisou muitos detalhes e registrou: “o velho Nicolau (Tolentino) era o primeiro a chegar à igreja e sentava-se nas escadas à espera que as portas se abrissem”. Ainda sobre os madeirenses no Havai conclui: “Esta reportagem sobre os exiles não tem fim; netos e bisnetos dos expulsos, então já pastores presbiterianos, voltaram ao Havai para evangelizar madeirenses católicos que entretanto para lá tinham emigrado”. Como escreve Ferreira Fernandes, “vivemos num planeta pequeno para tão viajada história”.
Kalley queria ir trabalhar na China, mas “no meio do caminho tinha uma ilha, tinha uma ilha no meio do caminho”.
O capitão Tate do navio William of Glasgow, que levou os primeiros 200 exilados da Madeira, registra o seguinte comentário em seu diário, traduzido por Rev. João Fernandes Degama:
“Só aqueles que tinham conhecimento do carater geral dos madeirenses, podiam dar um justo valor a mudança total operada nestes crentes. Eles eram, em verdade novas criaturas.”
Esse foi só o começo de como o sal foi sendo espalhado.
O início do trabalho de colportagem no Brasil foi instituido por Kalley, como forma de ajudar no sustento das 3 famílias de madeirenses que atenderam ao seu convite. Com apoio das Sociedades Biblicas do EUA e da Grã Bretanha, os canais de distribuição se multiplicaram, servindo de apoio aos missionários que chegavam ao nosso país e aos que lentamente foram se formando no Brasil.
Comentários»
No comments yet — be the first.