Acabei de mandar para minha lixeira virtual mais um post, não chegoui a ser publicado, a autocrítica arregassou as mangas e apagou o dito cujo que estava na fila de espera para ser publicado. Já esperava por isso mesmo, escrever a versão de uma história sempre envolve riscos, quanto mais envolvidos, ou participante dela, maior a chance de modificar a narração…xiii, para quem conhece um pouquinho de física quântica e dos duelos verbais entre Bohr e Einstein, isso está cheirando ao “Princípio da Incerteza”, deixa isso para lá, inclusive porque embora derrotado, “temporariamente”, estou com Einstein nessa polêmica, agora chega de preâmbulo e vamos a história.
Mulheres da Gama
Vai fazer…(demorei tanto a terminar que já passoau a data) ..em 22/01, 43 anos que minha bisavó Helena morreu, no mesmo dia que meu irmão Gilberto nasceu. (Não sei porque desde pequeno meti na cabeça que ela morreu no mesmo minuto que ele nasceu…)
As lembranças que tenho dela são poucas, mas passou 40 anos e comecei a minha coleção de histórias. Helena passou a fazer parte dos meus estudos. Lamentei não ter conhecido mais de suas histórias, sua infância, ela dizia que era descendente de Vasco da Gama, ninguém levou a sério. Até mesmo da filha dela, minha avó Elaine, embora conheça bem mais hsitórias, não tive chance esclarecer dúvidas que surgiram dos fragmentos do passado de nossa família.
Minha coleção, até o momento, começa com bisavô de Helena, António Fernandes da Gama, na Ilha da Madeira, sua esposa pode ter sido Maria do Faial, mas ainda falta a confirmação, por hora chamaremos de Viúva da Gama. António morreu mas não pode ser enterrado em um cemitério, por ter sido um dos primeiros que se converteram com o trabalho do Dr. Robert Kalley. Foi enterrado numa encruzilhada, uma forma de castigo post-mortem que o governo local deu a família da Gama. Seus filhos foram António, Francisco e João, além de uma filha mais nova que se casou e mudou-se para EUA.
Francisco foi avô de Helena. Depois de uma surra e ser dado como morto, Francisco, foi abandonado na porta de casa, sobreviveu. Foi preso. A Viúva da Gama foge com sua filha, em 1846, junto com sua nora Francisca de Freitas e três filhos. Francisca era casada com Francisco, ela seria a avó de Helena. Os irmão Francisco e António estavam presos, e o irmão João já tinha escapado com Kalley numa fuga cinematográfica. João virou pastor nos EUA, mais tarde, 1870, veio para o Brasil e fundou várias escolas e igrejas em São Paulo.
Capitão Tate que levou a família dos Gama para Ilha da Trinidad Tobago, menciona em seu diário de bordo:
“No domingo, 23 de agosto de 1846, a barca William de Glasgow levantou ferro, desfraldou as suas velas e solene e vagarosamente saio da baia do Funchal, da ilha da Madeira.
Nela ia a viuva do Gama, de Santo Antonio da Cidade, bem como a filha e a nora com tres crianças, porque o Francisco da Gama ainda estava preso e assim também os irmãos e companheiros.
….
Chegaram a bordo da barca somente com a roupa do corpo e esta mesma em farrapos, por se haverem entranhado nas matas e cavernas da terra durante os dias que ali se conservaram até sua partida na arca do refúgio.
Nem uma só palavra de queixa, por parte deles chegou aos nossos ouvidos…a linguagem de todos os crentes era de regosijo e de gratidão para com aquele que os tinha chamado das trevas para a sua maravilhosa luz e que na sua misericordia, os havia livrado das presas dos seus inimigos, os reunia em uma familia e os conduzia para um refugio”.
A Viúva da Gama faleceu na Ilha da Trinidad Tobago, Francisca teve inúmeras aventuras em Tobago e depois no Brasil, seu filho Frank Junior lutou na guerra nos EUA, depois veio para o Brasil, sua neta Helena teve sua saga no Rio de Janeiro, mas por pouco não vira filha adotiva de Kalley e se muda pra Escocia. Helena conta que viu o último Baile do Império (bem de longe, mas viu), depois… Elaine, o que não faltou foi aventura para essa Mulher da Gama…
Tempos difícies.
Depois tem mais história, mas ainda não é hora de escrever sobre as outras descendentes de Elaine. Só não posso terminar sem registrar que desde a viúva da Gama, nascida no sec. XVIII, as Mulheres da Gama tem confiado em Deus nos momentos de suas crises e suas vitórias foram e são sempre maiores que as derrotas.
7 respostas Até agora ↓
Cassia // 6 Março, 2008 às 9:09 pm |
Sensacional, mais um madeirense errante. Fico realmetne emocianada de encontrá-los na internet. Não faço parte desse grupo mais sou fruto dele. Pertenço a uma igreja fundada por Robert Reid Kalley, Francisco da Gama, e outros aqui em Niterói, RJ. Gostaria de saber vc mora no Rio de Janeiro? Se quiser acesse o site que fiz. Será que teria algum material pertencente a esses nossos pais na fé?
edukerr // 7 Março, 2008 às 8:14 am |
Bom dia Cassia
Tenho um irmão, minhas irmãs, mãe e avó morando no Rio, tenho também bastante material dos madereinses e da fundação da igreja no Rio, da vida de Kalley e alguma coisa da fundação da igreja em Niteroi.
Você esqueceu de dizer o site. Sobre outras histórias…aguarde
Cassia Lima // 8 Março, 2008 às 1:28 am |
Estou ansiosa aguardando novas histórias.
Enviei um e-mail para o sr. onde coloquei duas fotos relativa aos madeirenses. Aproveito para perguntar se conhece o site que os descendentes dos madeirenses residentes nos Estados Unidos possuem?
Esther Marques Monteiro // 21 Março, 2008 às 12:54 pm |
Sr.Eduardo Kerr
Estou encantada com as informações que li no e-mail recebido da Nahara e Cassia. Gostaria
muito de saber mais dessa história maravilhosa
Pertenço à Igreja Evangélica Fluminense, a 1ª
igreja evangélica fundada por Dr. Kalley, no Brasil. Sou responsável pela documentação dessa
Igreja. Temos documentos enviados pelo Dr. João
Gomes da Rocha.Seria possível acrescentar mais
alguns?
Com gratidão
Esther MMonteiro
edukerr // 28 Março, 2008 às 4:52 pm |
Prezada D. Esther,
Agradeço seus comentários.
Estou ensaindo começo de um livreto que conta histórias, que embora já contadas e até publicadas, estão no caminho do esquecimento.
Comecei colecionando algumas histórias da familia Kerr(minha família paterna), esbarrei nos Gama(minha familia materna), e dai pra frente virou uma bola de neve.
Essa semana, comecei a escrever no meu blog a serie “Espalhando o sal”, vamos ver onde isso vai parar.
Agradeço sua gentileza de ter copiado os 4 volumes de Lembranças do Passado, acho que foi em 2002…, conversamos algumas vezes por telefone,não sei se a senhora esta lembrada.
Depois disso falei com Sr. Remígio F. Braga em Campinas, que me disse estar preparando o relançamento da obra Lembranças do Passado.
Sobre outros materiais em meu poder, temos algumas fotos de 1880, muito interessantes. Algumas pessoas bem conhecidas de nossas histórias acabaram unindo suas famílias. As cartas provavelmente se perderam, mas talvez ainda possamos encontrar mais coisas no “baú de minha avó”, bisneta de Francisco da Gama, infelizmente já não posso confiar nos detalhes em sua memória.
Assim que for possível vou providenciar cópia do que for de interesse de vocês.
Lembranças presbiterianas aos Kalleyanos.
Eduardo Kerr
Joao // 14 Maio, 2008 às 4:47 pm |
olá
Sou de Portugal e estou a fazer uma investigação sobre o Dr. Kalley – por favor agradeço contacto para o e-mail jp@vodafone.pt
Que Deus abençõe
Alisson Teles Cavalcanti // 14 Maio, 2009 às 3:23 pm |
Olá Eduardo, pesquisando sobre Kalley fiquei surpreso com o comentário seu neste post falando que a coleção “Lembranças do passado” estava para ser reeditada. Você tem alguma informação mais recente? Tentei acahr algum contato do irmão que você mencionou, mas não achei nada. Estou interessadíssimo nesta reedição, já que esta coleção não existe mais em lugar algum, pelo menos em minha região (interior da Paraíba).
Abraços,
Alisson