Aprendendo a contar histórias

A palavra escrita – 1

4 Janeiro, 2008 · 4 Comentários

Ouvir histórias e estórias me agrada. Quando contadas por pessoas com dom nessa arte, me agrada muito. A história acaba e, muitas vezes, temos vontade de anotar, gravar, enfim, preservar a sensação e os fatos que foram transmitidos.

Na hora de escrever, começa a dificuldade. A palavra escrita não tem as mesmas propriedades que saboreamos ao ouvir uma história bem contada. É claro que os bons escritores ou escritoras podem tornar muito difícil a arte de contar uma estória ou uma história, mas para mim, a arte de escrever bem, ainda é mais difícil. Assim mesmo, achei que valia a pena o risco de escrever sobre as histórias que tropecei quando exercia um dos meus hobbies, a genealogia.

Há alguns anos iniciei a minha coleção de pequenas histórias meu primo Flavio era o principal fornecedor, no princípio só as do lado da família paterna, a família “Kerr”, mas nessas histórias surgiram personagens e eventos que alimentaram curiosidades que me levaram a colecionar novas história e de outros fornecedores, inclusive, entrelaçando com as histórias da minha família materna, os “da Gama”.

Conversei com algumas pessoas sobre como contar, na forma escrita, as histórias que se entrelaçavam e se acumulavam na minha coleção. Uma das pessoas, doutor em história, foi franco e falou dos problemas de apresentar fatos recebidos de forma oral como verdade, citou alguns exemplos, inclusive com conceitos acadêmicos e literários, que levou muita gente experiente a produzir textos desinteressantes.

Tanta sinceridade quase ne convenceu de deixar tudo como estava, na minha coleção.

Em julho de 2007, numa reunião de família, conversei rapidamente com meu primo Samuel, maestro, com alma de poeta, que tinha escrito um livro sobre as histórias de seu pai. O livro ficou muito agradavel de ler. Pedi conselho de como iniciar a escrever, e creio que foi o melhor conselho que recebi. Ele disse, “apenas escreva, não se preocupe em costurar os fatos”. Na dedicatória do livro que gentilmente me presenteou, mais uma vez ele deixou seu incentivo: “Contar histórias é muito bom. E necessário”

Renascia naquele momento o livro. Não é mais só um livro de histórias de família, mas é também.

Quando vou terminar? Boa pergunta.

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