Pausa 1 Maio, 2008
Posted by edukerr in som.Tags: Bach
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Espalhando o sal - 5 30 Abril, 2008
Posted by edukerr in blog, livro.Tags: Augusto Fausto de Souza, Conceição, Monica Luz, Norma Calado
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Rev. Conceição faleceu em 25 de dezembro de 1873. Sua saúde já preocupava a algum tempo seus amigos de ministério. Para obrigar Conceição a dar uma parada nas suas longas viagens a pé, os missionários o incentivaram a viajar ao Estados Unidos. Lá ele permaneceu quase um ano, tendo passado 8 meses na igrejas dos madeirenses em Illinois.
Na volta ao Brasil retornou a realizar sua viagens. Participa da Cerimônia de sepultamento de William Pitt em São Paulo.
O Presbitério do Rio convida Conceição para morar na capital do Império, Blackford alugou uma casa em Santa Tereza onde Conceição deve se instalar. Vindo de São Paulo a pé, fraco e doente, caiu na Estrada da Pavuna dia 24 de dezembro. Foi socorrido pelo médico Major Augusto Fausto de Souza e levado para enfermaria militar do Campinho. Fausto de Souza fica intrigado com aquele indigente que convesa pouco, e pede para ficar com a sós com Deus. Falece no dia seguinte, ia sendo enterrado como indigente, mas preocupado com a demora, Blackford envia um seminarista a procura do Conceição. O seminarista chega a tempo de identificar o corpo, é sepultado no Cemitério de Irajá. Dois anos depois seu corpo foi transportado para o Cemiterio dos Protestantes em São Paulo e enterrado ao lado de Simonton.
A morte de Conceição teve um forte impacto na vida de Fausto de Souza. O major era amigo do imperador D. Pedro II, médico experiente e havia sido ferido na Guerra do Paraguai. Veio a ocupar a Presidência da Província de Santa Catarina. Escreveu a primeira biografia de Jose Manoel da Conceição. Convertido ao evangelho, passa a frequentar a igreja do Riachuelo no Rio. Duas de sua bisnetas são amigas de infância de minha mãe, as professoras Norma e Fernanda Calado. Um outra bisneta, Cely Martins, é mãe de uma querida amiga, desde os tempos de adolescência, a jornalista e escritora Monica Luz.
Espalhando o sal - 4 28 Abril, 2008
Posted by edukerr in livro.Tags: Brotas, Campos, cerqueira leita, Sorocaba
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José Manoel da Conceição foi o primeiro pastor presbiteriano ordenado no Brasil. Ex-padre na região de São Paulo, resolve voltar a cada um das paróquias que tinha trabalhado e pregar o Evangelho. Sua fama corria no meio do povo como o padre excomungado.
José Carlos de Campos morava no bairro do Rio Acima, hoje conhecido como Votorantim, ouvia falar cobras e lagartos sobre o padre com quem no passado costuma a se confessar, tinha receio de encontrar com Conceição pois algumas pessoas contavam que o ex-padre estava na região e parecia possuido. Era início do ano de 1866, ao cair da tarde, Conceição bate na casa de José Carlos pedindo pousada da longa jornada que fazia. Foi recebido com certo temor na casa dos Campos, mas poderia afinal matar a curiosidade do velho patriarca.
Conceição pediu ao dono da casa se poderia ler a Palavra de Deus. José Carlos respondeu que se eram boas as palavras do livro, podia ler. As passagens lidas e explicadas por Conceição marcaram e comoveram profundamente aquela família. No dia seguinte José Carlos foi a cozinha falar com suas filhas e esposa e disse: -”Vocês sabem de uma coisa? Eu já estou protestante.” Após o café da manhã, Conceição realizou um culto com a família, e seguiu se caminho.
Blackford voltou aquela casa ainda em 1866 onde amigos, parentes e vizinhos se reuniam para o culto, e em 1869 era organizada formalmente um local com reunião regulares para pregação do Evangelho em Sorocaba. José Carlos estabeleceu a guarda do domingo para dedicar o dia ao Senhor, sua vida transformada, transformava os que com ele conviviam.
Em 1876, um dos que se converteram em Brotas, Antonio Cerqueira Leite, já tinha sido ordenado pastor e assume a igreja de Sorocaba.
José Carlos de Campos teve filhas e filhos, um dos filhos se chamava José Carlos de Campos também, e foi o pai de minha avó Aurora Campos.
Sem passado 25 Abril, 2008
Posted by edukerr in blog.Tags: futuro, história, passado
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Durante a organização da coleção de histórias dos que espalharam o sal, tenha observado pessoas da minha geração que não sabem o nome dos seu bisavós, conhece pouco da história de sua família e não tem como prioridade o desejo de conhecer.
Algumas dessas pessoas, são amigas, outras parentes, e devo dizer que tenho convicção que isso não se trata de uma falha de personalidade, creio que estão inseridas no bloco dos que pensam “não sei porque é assim, só sei que é assim”. Foram ensinados a não sentirem falta do que nunca tiveram.
Outros, podem ter razões e (ou traumas) para não lembrar, não falar ou contar do passado, talvez alguns até precisassem conversar com psicologos, outros se sentem bem em não falar do passado, e ponto.
Sou claramente a favor da história, o passado compreendido ajuda o presente e futuro, essa tese não foi inventada por mim e um dos exemplos mais notáveis é o povo judeu. Durante mais de 2500 anos esse povo ficou sem governo oficial, sem território geográfico, dispersado na face da terra e ainda assim foi capaz de manter sua cultura, sua história, seu idioma, sua escrita e sua identidade. E os povos sem passado?, bem…., não é impossível, mas fica mais difícil, as vezes mais dolorido enfrentar o presente. Sobre o futuro?, se tornam em castelos de areia.
Outros exemplos também chamam minha atenção, quando morei na Inglaterra, assisti a uma série de reportagens sobre a juventude alemã. Uma grande parte não acreditava nas coisas contadas sobre Adolf Hiltler, a história não foi contada, os erros voltavam a se repetir, menos de 50 anos após um grande desastre na história mundial. Em contra partida, nos passeios que tive oportunidade de fazer na Inglaterra, Pais de Gales e Escócia, ficou marcante o orgulho das pessoas por sua história, pelo tempo dedicado nas pesquisas, documentações e divulgação.
É claro que existe os desiquilibrados de plantão, onde o passado pode até virar doença, mas não vou debater a livre opção pela insanidade que essas pessoas fazem, tem profissionais mais capacitados do que eu para falar disso.
As histórias precisam ser contada, em nome do presente e do futuro, quando não acontece surge um outro grupo, os enganadores. Se aproveitam das pessoas sem passado, em geral possuem um notável talento para comunicação e grande potencial de fazerem o mal, que poderia ser evitado, “se ao menos eu soubesse que isso já aconteceu antes…”.
Não estou azedo, apenas convocando aqueles que conhecem histórias deem um passo a frente, por favor, os que não conhecem, ainda é tempo. “Sero Sed Serio”
Espalhando sal - 3 15 Abril, 2008
Posted by edukerr in livro.Tags: Blackford, Conceição, Pitt
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William Pitt foi aluno de Sarah Poulton na Escola Dominical, na Inglaterra. Casou mas sua esposa falece logo. Nesse meio tempo Sarah vai com sua família de mudança para o Libano atrás de um médico que podia curar da doença que seu irmão sofria. O médico era Kalley, que já tinha escapado da Ilha da Madeira graças a um plano elaborado por João DaGama, seus irmãos estavam na cadeia na época. Depois da fuga de Kalley, sua esposa, já seriamente enferma, faleceu.
Kalley resolve fazer uma longa viagem pelo Oriente, e se estabeleceu temporariamente no Líbano. Com a chegada da familia de Sarah, Kalley começa a tratar de seu irmão, tendo Sarah como enfermeira. Alguns meses depois Robert Kalley e Sarah se casam, e vão visitar alguns dos refugiados da Madeira que residiam em Illinois. Em Illinois Sarah reencontra seu aluno e reatam contato.
Em um outro fragmento de história a ser contado, falaremos de como Kalley veio parar no Brasil e enviou 4 cartas para Illinois, convindando 4 familias a virem para o Brasil. William Pitt foi o primeiro que chegou, sendo seguido por mais 3 familias de madeirenses. 100% de resposta positiva ao apelo de Kalley.
William Pitt era carpinteiro, trabalhava no Arsenal de Marinha, casa-se novamente no Rio com uma inglesa, fz parte da fundação da Igreja Congregacional Evangelica no Rio em 1858 e é eleito presbitéro. Fez amizade com Simonton e Alexander Blackford. No Arsenal de Marinha é persiguido e preso, resolve ir para São Paulo. Reata os contatos com Blackford, que também havia se mudado após um tempo na capital do Imperio. Na casa de William começa reuniões regularers dos interessados no Evangelho. Logo era auxiliar de Blackford e acompanha-o em suas visitas pelo interior de SP.
Em uma das viagens, Blackford vai a Brotas junto com Pitt, essa cidade é ponto de partida para criação da terceira igreja presbiteriana no Brasil e ponto de partida para o núcleo do interior paulista. Entre os primeiros convertidos estão ex-padre José Manoel da Conceição, Antonio Cerequeira Leite. O Evangelho se espalha pela região, Sorocaba, Tatui, Porangaba, etc.. Muitos líderes tem suas origens nesse trabalho de Blackford, Pitt e Conceição. Alguns livros e artigos já detalharam bastante os passos do primeiro pastor ordenado no Brasil, José Manuel da Conceição, no próximo texto vamos contar como José Carlos de Campos se converte com a visita de Conceição. Conceição vem a falecer no Rio de Janeiro e até nos seus últimos momentos, seu testemunho provocou a conversão do médico que o socorreu.
Para terminar, mas alguns detalhes sobre Pitt. William teve sete filhos, incentivado por Blackford, William é ordenado pastor presbiteriano, teve um ministério breve, vindo a falecer em São Paulo e foi sepultado no Cemitérios do Protestantes na capital. Alguns anos depois sua esposa e filhos retornam para Inglaterra.
Blackford, deve uma forte influência nos primeiros anos da Igreja Presbiteriana, foi moderador do Presbitério por três vezes consecutivas, participou da ordenação dos primeiros pastores, funda várias igrejas, começa a trabalhar como representante da Sociedade Bíblica Americana. Iniciaou a tradução que veio a ser conhecida como Tradução Brasileira. Realizou muitos casamentos dos imigrantes americanos que aqui chegavam incentivado pela política de D. Pedro II, entre eles, o da viúva Eliza Ruland Kerr, que tinha vindo ao Brasil com seus dois filhos, Samuel e Warwick, mas essa história fica para depois do lanche, com bolo alemão, é claro.
Espalhando o sal - 2 26 Março, 2008
Posted by edukerr in Kerr, livro.Tags: Blackford, Kalley, Lane, Simonton
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Simonton e Blackford tinham bom relacionamento com o pioneiro Kalley. Os elos de ligação que se formaram a partir desses três servos de Deus formam uma corrente que ainda não consigo visualizar totalmente. Antes de começar a explicar os elos da corrente, e como eles se ligam numa história só, achei melhor listar as pessoas envolvidas.
Alexander Blackford, Willian Pitt, Jose Manuel da Conceição, João Carlos de Campos, Aurora Campos Kerr, Eliza Ruland Kerr, Carlota da Gama, Helen Simonton, Jose Fernandes Braga, Remigio de Cerqueira Leite, Epaminonda Melo do Amaral, Cacilda Pereira de Moraes, Eulalia Camara, Paulina Da Gama, Manoel Antonio de Menezes, Romana de Menezes Dias França, Mariquinha França da Gama, Jose Antonio Dias França, Aurineo Melo Jorge, Eduarda Melo Jorge, Helena da Gama Jorge, Eduardo Lane, Carlota Kemper, Warwick S. Kerr, William C. Kerr, Fausto de Souza, Walquiria Calado, Cely Luz, Willian Lane.
Com certeza esqueci alguns, pulei outros, não por não ser importantes, mas para não acabar gerando uma floresta genealógica… Agora preciso de folego para começar a contar as histórias .
Espalhando o sal - 1 26 Março, 2008
Posted by edukerr in livro.Tags: colportor, Emanuel Pires, evangelho, Ferreira Fernades, Havai, Kalley, Tolentino, ukulele
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Encontrei essa expressão na coleção de livros (4 volumes) “Lembranças do passado”, compilado por João Gomes da Rocha, que simboliza o ministério de Kalley no Brasil.
Além de JG Rocha, muitos outros colaboradores se esforçaram por transmitir como foi a divulgação do Evangelho ao longo dos 18 anos em que Robert e Sarah Kalley residiram no Brasil, mas não foi/é uma tarefa fácil. A transformação na vida das famílias atingidas pelo Evangelho escapam a percepção até de leitores mais cuidadosos.
Robert e sua esposa, são considerados como os pioneiros em um trabaho sistematico, estruturado e duradouro em nosso país. Mas antes de sua vinda ao Brasil, uma pequena ilha do Atlantico teria um papel de destaque na propagação do evangelho no Brasil, e até do outro lado do planeta, numa outra ilha, no meio do Pacífico. Os convertidos da Madeira foram exilados em 1846 mas continuaram a ser “luz do mundo” e “sal da terra”, e sem perder o sabor, continuam, através de seus descendentes e dos frutos de seus trabalhos, a merecer nossas homenagens.
O livro de Ferreira Fernandes, Madeirenses Errantes, conta que entre os exilados da época dos Gama estava Nicolau Tolentino Vieira, que foi para Illinois e de lá acabou indo trabalhar no Havai, junto com um grande número de trabalhadores madeirenses. Alguns costumes madeirenses foram incorporados pelos nativos, e até o famoso instrumento musical havaiano, Ukulele, teve origem no instrumento “machete de braga” trazido pelos madeirenses nos anos de 1870, (no Brasil virou Cavaquinho). Mas não parou por ai as influências dos exilados, com tanto madeirenses juntos(mais de 400), não tardou a surgir o “efeito sal da terra”. Em 1890 um dos discípulos de Kalley, exilado em 1846, Rev. Emanuel Pires, (que já havia sido pastor em SP, RJ e MG) vai ao Havai com outros dois madeirenses e fundam a Igreja Evangélica em Honolulu.
O autor do livro pesquisou muitos detalhes e registrou: “o velho Nicolau (Tolentino) era o primeiro a chegar à igreja e sentava-se nas escadas à espera que as portas se abrissem”. Ainda sobre os madeirenses no Havai conclui: “Esta reportagem sobre os exiles não tem fim; netos e bisnetos dos expulsos, então já pastores presbiterianos, voltaram ao Havai para evangelizar madeirenses católicos que entretanto para lá tinham emigrado”. Como escreve Ferreira Fernandes, “vivemos num planeta pequeno para tão viajada história”.
Kalley queria ir trabalhar na China, mas “no meio do caminho tinha uma ilha, tinha uma ilha no meio do caminho”.
O capitão Tate do navio William of Glasgow, que levou os primeiros 200 exilados da Madeira, registra o seguinte comentário em seu diário, traduzido por Rev. João Fernandes Degama:
“Só aqueles que tinham conhecimento do carater geral dos madeirenses, podiam dar um justo valor a mudança total operada nestes crentes. Eles eram, em verdade novas criaturas.”
Esse foi só o começo de como o sal foi sendo espalhado.
O início do trabalho de colportagem no Brasil foi instituido por Kalley, como forma de ajudar no sustento das 3 famílias de madeirenses que atenderam ao seu convite. Com apoio das Sociedades Biblicas do EUA e da Grã Bretanha, os canais de distribuição se multiplicaram, servindo de apoio aos missionários que chegavam ao nosso país e aos que lentamente foram se formando no Brasil.
Helena, Frank e Mariquinha 19 Março, 2008
Posted by edukerr in livro.Tags: dagama, Gama, Kalley, Kerr
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Helena foi uma Mulher da Gama.
As lembranças que tenho dela vão até os 6 anos de idade, não é muito. Helena faleceu em janeiro de 65 e já estava além de suas forças físicas, mas convivendo com suas descendentes, guardada as devidas proporções de mudanças sócio culturais do sec. XIX para o sec. XX, formei um esteriótipo da sua personalidade. Algumas poucas pessoas da família podem completar ou corrigir essas impressões.
Helena era filha de Francisco da Gama Junior, seu pai guardava muitas lembranças amargas da Ilha da Madeira, passou um tempo nos EUA na casa de sua tia Emilia. Embora tenha vivido pouco tempo naquele pais, se alistou no exército com seu irmão, em plena guerra civil, isso foi marcante para sua vida. Gostava que o chamassem de Frank Junior. Esse nome foi dado no alistamento pelo exercito do norte dos EUA, e seu irmão de João virou John. Para Frank era uma forma de se vingar do idioma portugues, no qual seu nome era Francisco.
Ficou na igreja de Kalley até o final da vida, casou com Mariquinha, começou uma sociedade com amigo no comércio local, mas com a morte de seu sócio, não se sabe se ele não tinha o controle da contabilidade e/ou não podia comprovar o valor da sociedade, que era guardado num cofre único, ficou sem nada. Outros amigos lhe arrumaram um novo trabalho numa frábbica de chapéu, e a vida foi caminhando, na sombra.
Seu filho mais velho não se casou, depois teve Helena, Luzbela e Silvia.
Silvia não teve descendentes, mas Luzbela teve filhas e netas
E Helena? … bem, Helena era uma menina agitada, conversadeira, que encantava. Os Kalleys convidaram Helena para morar com eles na Escócia, mas na época era a caçula. Sem chance.
Dona Sarah Kalley, ensinou a menina ainda na adolescencia a fazer um bolo que entrou pra familia. Era feito de cerveja preta, açucar mascavo, cravos, bicarbonato de sódio, banha, ovos, e farinha(mas muita gente jura que tem gosto de banana!!). Helena batia o bolo com colheres de pau ( a batedeira estava ainda a 50 anos do seu alcance) , e o braço da menina cançava, mas só depois de quebrar uma ou duas colheres na hora de mexer a massa. Quando fazia o bolo, tinha que ser de três receitas de uma só vez, pois irmãos e vizinhos devoravam em questão de minutos. Na lembraça de Helena o bolo era chamado de Bolo Alemão, embora ela ainda menina tenha batizado de “bolo das colheres de pau”. Bolo Alemão? pode ser, os Kalley morava em Petropolis junto a colonia de imigrantes, mas curiosamente esses mesmo ingredientes eram, e ainda são, usado na culinária daIlha Madeira. Vai saber se a menina se enganou, talvez Sarah tenha recebido a receita dos imigrantes da Madeira.
Helena casou com o jovem Auríneo, membro da Igreja Presbiteriana do Rio. Mas a vida estava prestes a ficar mais difícil. Auríneo faleceu ainda jovem, seu filho mais velho, Airton, era sargento do exército, e por um breve tempo conseguiu sustentar a família, mas, um dia, apareceu morto, nunca esclareceram se foi acidente ou assassinato.
Helena permaneceu firma na igreja do Rio, depois na Igreja Presbiteriana do Riachuelo. Lá no Riachuelo sua neta viria a se casar.
Ainda no tempo que minha bisavó Helena era viva, eu frequentava o Riachuelo. Lembro das músicas da Escola Dominical, lembro do meu pediatra, Dr. Valfredo. Foi lá que conheci o Rev. Galdino Moreira, que por sinal tinha sido amigo de escola de meu avô paterno, William Kerr. Conheci também do Rev. Thiago Rocha, que ainda mora no Rio de Janeiro e que foi amigo de mocidade de meu pai em Campinas, fez o casamento de meus pais e o meu casamento também. Todos eles fazem parte da história de nossas familia, Kerr e Gama. Até mesmo o bolo. Para terminar, é claro, a receita do Bolo Alemão.
1/2 Kg F. trigo
400 g açucar mascavo
6 cabeças cravo moida
200 g margarina
2 C. sopa oleo vegetal
3 ovos inteiro
300 ml cerveja preta (Malzebier)
1 C. café de bircabonato de sódio desmanchado em 1 C. sopa de agua morna
MISTURA TUDO até massa ficar bem lisa
40 minutos de forno medio (180-200) C em forma com furo no meio
Comer tudo.
Um conto - Procura-se 21 Fevereiro, 2008
Posted by edukerr in blog.Tags: aprendendo a escrever, conto, Eduardo Kerr
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Para apreender um pouco mais, fiz uma Oficina de Produção de Crônicas e Contos.
A crônica eu escrevi foi metralhada e reduzida a duas linhas, o conto, ou se preferir semente do conto, apresentado no final do curso, “entortou os ouvidos” (expressão usado por Mario de Andrade quando alguém não gostava do seu texto: “não é meu texto que está ruim, seu ouvido que entortou”) do professor, mas tá feito.
Senta que lá vem a estória.
Procura-se
- Menina você não existe! Qual seu nome?
- Vera Alice.
- Hum! Que diferente!
A menina logo emendava.
- É latim e grego, um nome de cada avó, meus pais escolheram e eu gostei.
Vera Alice sempre mostrou bom humor sobre as observações do seu nome. Ela aceitava como elogio, como se fosse alguém muito especial. Na opinião dela, toda sua família era especial, eles tinham uma forma de agir e falar muito semelhante, pelo menos os que freqüentavam sua casa. Desde a sua adolescência participava das sessões de autocrítica que invariavelmente surgiam nos encontros de família. A prima Lia era a inconveniente. Sua mãe dizia que ela não sabia a hora de manter a boca fechada, mas não estava entre os piores. No lado paterno, alguns tinham problemas sérios para conviver socialmente. Falavam e se alimentavam da crueldade humana. Seu pai não perdoava e saía do sério.
- Mentalmente perturbados!!, contagiosos!!. Fique longe deles!!.
Apesar disso, Vera Alice gostava muito das histórias que ouvia dos seus antepassados, histórias e situações que aconteciam também no seu dia a dia, o tempo não parecia passar na história da família.
No último ano de estudos, sonhava com sua vida profissional, seria professora. Sua avó Alice, vendo a empolgação da neta, aconselhava sempre que podia.
- Faça a escolha no momento certo, até lá … pondere filha.
Decidida, Vera Alice tinha prazer em contar, a todos, seus planos. Inclusive sobre a escola que teria um dia.
Sua determinação acrescentava charme a sua personalidade, mas havia quem a ignorasse (na verdade, detestavam) sua presença.
Aquele foi um ano peculiar na escola, houve uma notável quantidade de caras novas. Os novatos logo se organizaram e se uniram, inicialmente entre eles, e aos poucos, cativavam um, no máximo dois, de cada vez entre os mais antigos.
A cada convite surgia uma nova música, um novo filme, novos sabores e muitos questionamentos.
Com presença marcante, os novatos sempre contavam suas aventuras, passando a ser centro das atenções. Havia momentos cômicos, com histórias que escondiam com irreverência o desprezo pelo bom senso. Os momentos dramáticos eram sempre teatrais. Eram jovens atores, com raciocínios facciosos, provocante ao ponto fazer Vera Alice sentir culpa por ser tão normal e ingênua.
Perturbada a cada novo sentimento, voltava outra vez a encontrar os novos amigos, mas cada vez menos perturbada, apenas um desconforto passageiro. Quando pediam sua opinião, ela dizia:
- Talvez, em algum lugar vocês tenham se enganado.
E como era de costume, ouvia:
- Vera Alice, você não existe.
Agora o comentário já não soava como elogio, mais parecia um convite, um sonho, um desejo, um eco mental.
Seus pais perceberam as dúvidas que consumiam sua filha, ela não falava mais em ser professora, nem em ter sua escola, alias, quase não falava. Quando falava, já refletia sua nova paixão, ser atriz.
Saiu de casa. Já não era a vera nem alice.
Na escola, virou lenda urbana.
Sua prima Lia dizia que ela se juntou aos desajustados da família, formada por filósofos, escritores, médicos, advogados e cientistas.
Quando perguntavam aos pais, eles diziam:
- Ela, (..) não mora mais aqui, mas vai voltar.
A palavra escrita - 3 * O Relojoeiro 11 Fevereiro, 2008
Posted by edukerr in livro.Tags: relojoeiro
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Relojoeiro, sujeito habilidoso, paciente, com raciocício de sincronismo mecânico brilhante, é uma dessas profissões que hoje beira à extinção em virtude de novas tecnologias para construção dos relógios.
Meu pai me chamava de mão de relojoeiro, não pela minha destreza em montar pequeninas peças com precisão, mas justamente ao contrário, era incapaz de manipular mecanismo delicado e frágeis. Tinha força nas mãos, mas era bem desastrato, sem controle fino de intensidade. Por muito tempo serviu para abrir algumas tampas que pareciam impossível para uma criança de 5 ou 6 anos. A fama ficou, e até sair de casa para morar longe da familia nos tempos de universidade, qualquer tampa de vidro da cozinha, shampoo, etc.. pediam para que eu abrisse….mas, na maioria das vezes, eu abria com a 60% de fama e somente 40% de força.
Anos se passaram, ouvi um outra história sobre relojoeiro, mudando de assunto, mas o relojoeiro é o mesmo. A história vem da época de Charles Darwin, sec. XIX, na verdade começa até antes do famoso cientista divulgar a teoria da evolução.
Imagine alguém caminhando por uma grande floresta, um objeto no chão chama sua atenção, é um relógio. Como o relógio foi para lá?
Podemos imaginar diferentes versões sobre porque esse objeto de precisão foi parar no meio da floresta, no entanto, há somente uma afirmação que podemos fazer sobre o relógio: Existe um relojoeiro. Ele colocou todas as peças muito bem ajustada com precisão inquestionável.
Era o nascimento de uma teoria, Projeto Inteligente, que necessita de muito menos provas científica para ser aceita aceita que a Evolução das Espécies de Darwin.
Por causa de algum defeito espiritual somando com uma boa dose de arrogância, o homen prefere acreditar que: um monte de pequenas e específicas peças criadas por mero acaso, e que depois foram sendo agrupadas pela brisa, que sopra onde e quando quer, se encaixam até que um dia surgiu o relógio.
Vamos entender que nessa época não havia conhecimento da complexidade do DNA e suas bilhões de combinações possíveis, portanto pela simplicidade da teoria do Relojoeiro é desconcertante para alguns cientistas.
Haja cara de pau para explicar o inexplicável. Por motivos bem menores, do tamanho dos átomos e elétrons, Einstein protestou contra essa incerteza e declarou: “Deus não joga dados com universo.”
Vem mais história por ai, essa talvez seja uma introdução do livro.