Aprendendo a contar histórias

E vocês, o que têm feito do tempo e das oportunidades que tiveram até aqui?

20 Março, 2009 · Deixe um comentário

Ufa….. !! Laptop novo, do antigo só sobrou o hd, para tirar o atraso vou reproduzir mais uma história, uma bem longa, mas começamos primeiro com o título.

“E vocês, o que têm feito do tempo e das oportunidades que tiveramaté aqui?”

Essa pergunta foi feita em 1941 pelo missionário Mirddin Thomas, na conferência anual da Aliança das Igrejas Evangélicas do Norte, em Barra do Corda/MA. Entre os presentes estava um jovem de 20 anos que viria a se tornar no Rev. Abdoral Fernandes da Silva. Seus pais tinham conhecido o evangelho através do ministério do médico e Rev. Perrin Smith, que sucedeu a João em Barra do Corda.

A história transcrita a seguir foi contada pelo Rev. Jader da Igreja Presbiterina de Recife, baseado no livro do Rev. Abdoral.

 

“O Aleijado foi muito longe!

Era assim que João Batista Pinheiro era chamado nos idos de 1800: “o aleijado”. Preservando tão-somente o aspecto histórico, o título desta pastoral procura transportar-nos para um dos momentos marcantes dos primórdios do nosso trabalho: de nosso meio o Senhor levantaria um homem simples e faria dele um grande missionário! Doença de bouba? De família com muitos filhos o menino João nasceu mirradinho, quase não se criando. Vivia em um pequeno sítio nas imediações de Barra do Corda-MA, em extrema pobreza, alimentando-se da terra, de biscates, da boa vontade dos mais abastados e também da reza, muita reza com pedidos à nossa senhora para que chovesse, para que alguém providenciasse algo, para que o pão chegasse à mesa.

Dias santos eram respeitados com rigor e os santos dos dias eram homenageados com os nomes nos filhos. O que o padre falava era ordem e o que Igreja dizia era o que se seguia. Mas aquele menino João, que muito pedia para ser curado das feridas que infestavam o seu corpo infantil, via o tempo passar sem ser atendido. Hora melhorava um pouco, hora pipocavam novas feridas. Tudo indicando ser a doença de bouba, infecção comum nos trópicos, forte à época principalmente entre desnutridos que viviam em condições precárias. Começava com erupções na pele. Chás, banhos e outras “medicinas populares” eram tentadas, algumas surtindo pálido efeito, muitas, não.

Quando jovem João sofria com feridas que chegavam a afetar até os ossos, decidiu: – Vou embora!

Ficou sabendo que em Fortaleza havia tratamento. Juntou o pouco que tinha, arrumou uma trouxinha com parcas roupas, pediu a bênção aos pais e partiu. Colocou um pedaço de madeira que ele mesmo seguia esculpindo e foi pela estrada, pedindo ajuda e espaço nos transportes de tração animal ou trem, comendo quando desse e o que dessem.

Assim o maranhense chegou à capital alencarina. Amputação. Não teve jeito. O tratamento além de caro era raro. A Medicina brasileira não estava apta para lidar com casos como aquele. Amputaram-lhe a perna. Quase morreu, mas não morreu. E ficou em Fortaleza, mendigando. Seu pedaço de madeira transformara-se em uma imagem de nossa senhora esculpida com canivete por suas ágeis mãos. Era seu costume pedir esmolas apresentando a imagem às pessoas, rogando bênçãos aos ofertantes. Aquela imagem o acompanhava e produzia conforto.

Seguia rezando e confiando no objeto da sua devoção. A essa altura as feridas já estavam presentes na perna que ficara. A agonia o afligia. Tudo coçava e irritava o tecido cutâneo. “No Recife ouvi dizer que tem médico bom para esse negócio aí”. Foi o que ouviu de um transeunte.

Agarrou-se aquela informação sem sequer confirmar se havia veracidade ou não. Iria para Recife à procura de tratamento. E da mesma forma, pedindo e esperando, apoiando-se em uma muleta, tomou o rumo de Pernambuco. Que música linda! De onde vem?!

1887. João estava dormindo na porta de um estabelecimento comercial. Era domingo cedo. Dormia sempre onde encontrava espaço, nas portas mais ao fundo das paredes para proteger-se da chuva.

Acordara com lindos hinos sendo entoados. Ficou impressionado. Enlevado, guiando-se pelo som, foi se aproximando.

Achou aquilo estranho. Não era igreja como ele conhecia uma igreja, mas parecia algum tipo de missa acontecendo em um salão pequeno. Mas não tinha padre, nem véu, nem velas… Ficou à porta, meio acanhado e muito desconfiado. Achara a música linda. E como não tinha outra coisa para fazer ficou ouvindo. No outro domingo quis voltar para ouvir mais cânticos. E ficou novamente parado na entrada.

E ouviu a mensagem. Que mensagem linda! Que palavra segura! Que Cristo maravilhoso! João Batista não agüentou mais. Queria professar imediatamente aquela fé, bíblica e cristalina que fazia o seu coração arder.

Assim, veio a Cristo, passando a receber a atenção e o cuidado dos membros da igreja. Não muito tempo depois, providenciaram para ele um quartinho nos fundos e generosas irmãs lhe davam alimento. Se lia “só de carreirinha e muito mal”, o tempo que tinha passou a ser investido aprendendo a ler melhor. E lia a Palavra de Deus, e lia, e lia… Os meus parentes estão em trevas. João ficou triste, muito triste.

Pensava nos seus lá no Maranhão. Eles nunca tinham ouvido aquela mensagem do evangelho da Graça de Deus. E por isso orava e rogava ao Pai a oportunidade de revê-los. Queria compartilhar a Palavra. A sua saúde continuava debilitada. O tratamento que viera buscar não encontrara. Sua alma estava restaurada, mas a sua perna já estava bem comprometida. Queria retornar ao Maranhão e pregar para os seus parentes antes de morrer.

A liderança da igreja levantou um montante e o enviou a São Luís com uma carta de recomendação. Àquela altura a Missão Presbiteriana do Norte do Brasil destacara para aquela capital os Reverendos Butler e Thompson, que acolheram João. Foi Dr. Butler, aliás, quem cuidou de suas feridas e providenciou a amputação da perna, por não haver mais jeito. João Batista Pinheiro tivera amputações que chegavam perto das nádegas.

Distribuindo folhetos incansavelmente. Fizeram para ele um carrinho com rodas de madeira (tipo carrinho de rolemã) para que pudesse se locomover. Como a pele na região amputada ficara sensível, também lhe forneceram uma proteção à base de couro e assim se arrastava pela cidade, sempre pregando o evangelho e sempre distribuindo folhetos.

De São Luís seguiu para Barra do Corda.

Matem esse aleijado! Assim que começou a pregar começaram as reações fortes! Aquilo ia contra os ensinamentos da Igreja Católica! Aquilo era heresia! Aquilo era mensagem de maldito protestante!

Com limitações físicas, foi apedrejado, linchado, e certa vez um furioso anti-evangélico lançou seu cavalo contra ele, atropelando-o.

Pedira Bíblias que o Rev. Thompson enviara pelo Correio. Seis exemplares, todos tomados à força e queimados em praça pública. Pediu mais Bíblias e dessa vez a Igreja de São Luís enviou o dobro: doze. E foi graças à perseverança e pregação deste incansável servo de Deus que as primeiras famílias em Barra do Corda ouviram o evangelho e nele creram.

Em 1901 professaram a fé as famílias Barros, Caetano, Pinheiro, Dodô e outras mais, através do testemunho daquele homem humilde e fiel. Dos ensinamentos recebidos no Recife e em São Luís, João a todos recomendava o amor e a devida observação às Sagradas Escrituras, ensinando pacientemente os novos convertidos, ajudando-os a seguir na trilha da fé, com perseverança e dependência da Graça!

Em 1905 chegara à cidade de Grajaú, distante cerca de 200 quilômetros de Barra do Corda, um casal canadense. À semelhança do conhecido médico escocês Dr. Robert Kalley, Perrin e Ann Smith vieram ao país como missionários independentes, mas com visão mais congregacionalista. Perrin era um pregador incansável, viajando mais de 700 quilômetro à cavalo pregava sempre em cidades como Serra das Cintra, Imperatriz, Serra Negra, incluindo também a região do Alto Mearim.

Em 1911 realizou mais de 30 batismos em Barra do Corda, dos “discípulos do João”. Ali os crentes pediram-lhe encarecidamente que cuidasse do rebanho, pois João Batista Pinheiro, agora velho, surdo e quase cego, recolhera-se muito enfermo à casa de uma filha.

A Igreja Presbiteriana não tinha quem enviar para lá e um sobrinho de João era quem ‘pastoreava’, sendo este muito simples e quase analfabeto. O Pastor Perrin atendeu o pedido, comprou uma propriedade e dali passou a pregar em outras localidades como Porto Franco, Mirador, Colinas, São Domingos, Presidente Dutra, etc. Por suas convicções, aquela que seria uma igreja Presbiteriana foi mudada para uma linha mais congregacional, surgindo uma nova denominação no solo brasileiro: a Igreja Cristã Evangélica do Norte do Brasil (os pais da minha esposa atuaram por mais de 40 anos com este grupo). E a Igreja Cristã Evangélica está hoje presente em onze estados brasileiros, massissamente na região Norte do país.

Ide! De Barra do Corda saíram muitos obreiros simples que foram entrando nas matas do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia e hoje pregações bíblicas e igrejas nos mais longínquos rios amazônicos podem ser encontradas. Homens e mulheres de Deus seguiram a boa tradição de compartilhar a Palavra onde houvesse oportunidade e gente para ouvir, tornando a gloriosa mensagem do evangelho bem conhecida nas densas matas do Norte. Era a mesma mensagem levada anos atrás pelo aleijado onde não havia Mensagem. E desde então este evangelho de poder transformador andou e tem andado como nunca! “…e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus”. ( 1 Co 1.28,29).

Escrito pelo Rev. Jáder Borges Filho

Relato possível graças ao livro “Nossas Raízes” do Rev. Abdoral Fernandes, que conta a história das Igrejas Cristãs Evangélicas do Norte do Brasil

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Até aqui….

30 Dezembro, 2008 · 2 Comentários

 

Encerrando oficialmente o ano de 2008, posso dizer como Samuel: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sa 7.11-13)

Não significa que não houve momentos de dúvidas, tristezas e apreensão, afinal temos sempre que lembrar que ainda hoje os filisteus são mais fortes, mais poderosos e em maior número.

Os breves relatos com que venho alimentando esse blog, não devem ser mal interpretado  pelo leitor distraido ou precipitado. Acredite, é impossível expressar o desafio que os cristãos enfrentam diariamente, mas … é a cada dia. Se ainda não fui claro cito o que meu tio Otavio dizia: “sopa quente a gente toma pela borda”. Precisa de colher e prudência, não mais que isso.  Muitas pessoas já estão sofrendo só de pensar que tem um ano inteiro, novinho em folha, pela frente.

É um bom momento de lembrar que a misericórdia de nosso Deus “..se renova a cada manhã.”  (Lm 3.22-24)

A frase de Samuel também não deve ser entendia como um ponto limite da paciência de nosso Criador, não significa que, no ano que está para começar, Deus vai tirar férias. Nesse momento há um forte desequilbrio na mídia entre a prudência e a histeria.

Para terminar o ano, aproveito a palavra de dois Guilhermes:

A primeira palavra, do avô Rev. Guilherme Kerr, em um de seus sermões sobre a causa de coisas ruins acontecerem aos  que são fieis à Deus:  “Se houvesse uma forma melhor, Deus teria feito”, Deus não está em julgamento.

A segunda palavra, do primo Pr. Guilherme Kerr Neto, em seu sermão “Jesus is on the move”, (http://www.harbourchurch.org/podcast/wp-content/uploads/2008-07-20_guikerr_jesusisonthemove.mp3) que nos lembra da promessa (na verdade os termos em Ezequiel são mais forte que uma promessa) de Deus enviar seu Filho para cuidar de nós( Ez 33.10-16), mas é preciso que Cristo seja parte de nossa vida.

Como aprendi na Escola Dominical, “com Cristo no barco tudo vai muto bem, e passa o temporal”.

Bom ano para todos, com mais histórias que precisam ser contadas

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Espalhando o sal 17 – De vento em popa

21 Novembro, 2008 · 1 Comentário

Em 18 de novembro de 1951, meu pai, que cursava a Escola Naval, foi um dos tripulantes do barco de madeira “Vendaval”, vencedor (Fita Azul) da primeira regata oceânica Santos-Rio. O tempo da travessia, 23h50 min, levou 44 anos para ser superado. Quando o recorde foi quebrado, foi feito pelo campeão olímpico Torben Graell.

Nunca ouvi (acho pouco provável que meus irmãos também tenham ouvido) meu pai contar sobre essa “singela” façanha, nem tão pouco do recorde que levou mais de 4 décadas para ser superado. Apesar dos avanços tecnológicos na construção naval, imagino que o vento demorou a encontrar outra tripulação que o compreendesse.

Tudo que sabia dessa época é que durante o tempo da Escola Naval meu pai havia  participado de algumas regatas e jogado basquete. Muitas vezes ouvi a expressão “de vento em popa” dita por meu pai, e mesmo sem nunca ter aprendido a velejar, ficou logo claro para mim o sentido da expressão. Quando usada, nunca se referia à competição ou a um recorde, mas se referia a fazer o melhor possível e aproveitar as oportunidades.

Foi essa a expressão que me veio a mente, quando organizava os dados dos progressos alcançados na distribuição de Bíblias no Brasil. Os colportores souberam aproveitar cada oportunidade, cada viagem, cada porta que se abria, primeiro por intermédio do patrocínio de Robert Kalley, depois com a ajuda das agências das Sociedades Bíblicas.

Em 1874, foi criada a primeira Sociedade Biblica do Brasil, que nasceu na Igreja de Kalley no Rio de Janeiro, mas não teve exito na consolidação como empresa auto-sustentada. Mais uma tentativa foi feita em 1902, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, dessa vez chamada de Sociedade Bíblica Juvenil de Nictheroy. Essa organização também não foi avante.

Durante algumas décadas, os representantes americanos e britânicos das Sociedades Bíblicas atuaram no Brasil de forma paralela, mas em espírto de colaboração. Em 1910, foi publicado o Novo Testamento com a primeira tradução do texto bíblico feita no Brasil, e  depois, em 1917, a Bíblia completa, que ficou conhecida como Tradução Brasileira. Esse longo trabalho teve o fundamental apoio da Sociedades Bíblicas, de ilustres brasileiros e ficou conhecida como uma versão muito literal dos textos originais, o que para leitores comuns nem sempre é uma vantagem, mas se tornou um valioso instrumento para estudiosos, pesquisadores e professores.

Em 1931, os representantes americanos e britânicos publicaram um relatório em conjunto com o título “As Sociedades Bíblicas lançando os alicerces da Escola Dominical”,  com a avaliação do que  tinha sido feito em 77 anos de trabalho formalmente organizado. Destaco alguns dos comentários:

  • a população tem aumentado de 10 milhões para 42 milhões.
  • as estradas de ferro de 40 Km para 35.000 Km
  • a Sociedade Bíblica Britânica tem distribuído cerca de 2.800.000 exemplares das escrituras, a Sociedade Bíblica Americana cerca de 2.600.000 e a Sociedade Bíblica Nacional Escocesa cerca de 600.000, totalizando 6 milhões, 1 exemplar para cada 7 habitantes. Apesar de ser um número grandioso, a grande maioria foi de pequenas porções do texto, e consequentemente o número de versões integrais da Bíblia nas mãos de brasileiros é comparativamente pequeno.

O vento continuou soprando … Em 1948, foi criada a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), e em 1995 foi inaugurada a Gráfica da Bíblia em Barueri, no estado de São Paulo (Sobre esse período da SBB temos um livro escrito pelo Rev. Luiz Antonio Giraldi que participou durante quase 50 anos de forma ativa na área de tradução, administração e direção da SBB. O livro foi publicado em 2008 e se chama A História da Bíblia no Brasil).

Inaugurada em 1/07/1995, a Gráfica da Biblia da SBB já produziu até agora 80 milhões de escrituras (Bíblias e Novos Testamentos), o que resulta uma “singela” média de 16 livros/minuto nas últimas 680 semanas de trabalho. Essa média, se considerarmos somente o ano de 2008, alcança a marca de 35 livros/minuto.

Dos 80 milhões já produzidos, 20 milhões de livros foram exportados para 102 países em mais de 25 idiomas distintos.

De vento em popa, alcançamos essa marca, e, com certeza, o empenho e zelo de todo o corpo de funcionários da SBB foram  importantes para nos manter no rumo, vencer os desafios e aproveitar as oportunidades, mas o vento que nos impulsionou foi a Graça e Misericórida de Deus.

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Espalhando o sal 16 – Entradas e Bandeiras

18 Novembro, 2008 · Deixe um comentário

Na época que existia o curso ginasial, Entradas e Bandeiras era um dos tópicos dos livros de  História do Brasil, e que contava como o território brasileiro, que inicialmente foi delimitado pelo Tratado de Tordesilhas, acabou tendo sua linha de fronteira imaginária entre as terras de Portugal e Espanha empurrada pela América do Sul a dentro, com ação direta dos bandeirantes.

De semelhante modo, os colportores cruzaram o território nacional, de barco, trem, mula, cavalo e a pé, jogando sementes da Palavra de Deus, sendo responsáveis pelo nascimento das igrejas nos locais mais remotos de nosso país.

Algumas sementes cairam em solo fértil, outras em pedra, outras em espinhos, mas até mesmo algumas que cairam (ou “foram caídas”) nas águas, floreceram. Os colportores passaram por Brotas/SP

Brotas foi um terreno fértil, mais que isso, se tornou numa fábrica de semeadores, a partir das sementes plantadas por William Pitt, Blackford, Simonton, Lennington, José Manuel da Conceição e com continuidade pelas famílias dos Cerqueira Leite, Gouvea, e muitos outros descendentes.

Uma história da região de Brotas entrou para minha coleção, foi contada por Rubens Amorese, a respeito de seus antepassados.

Manoel Pereira de Toledo Magalhães.

Veio do sul de Minas Gerais com seu pai Beraldo, para a região de Brotas e Jaú, por volta de 1853.  Foi batizado e professou a fé em Brotas, SP. Eleito presbítero em 3/10/1875, foi empossado em 20/2/1876, em cerimônia dirigida pelo pastor da Ig.Presb.de Brotas, Rev. Antonio Bandeira Trajano. Uma de suas netas escreveu:

“… vô Manoel foi a Brotas (interior de SP) para dar fim a um certo templo “daquela gente protestante”. Ouviu um hino … resolveu esperar na porta com seus capangas até que a música acabasse. Na seqüência o pastor, de voz trêmula, falou… ele resolveu, então, esperar pelo final do “discurso”… “  teve sua vida transformada.

Dessa forma foi que grande parte de sua descendência se tornou evangélica.

Entre os muitos descendentes de Manoel Pereira de Toledo Magalhães houve união com os Cerqueira Leite (que formaram laços familiares com os Kerr) e com a família de Garcia Nogueira, que formaram laços afetivos desde os anos de 1920.

Rev. Rodolfo G. Nogueira foi presidente da  Sociedade Bíblica do Brasil(SBB) na década de 1970. Muito tempo depois, já com 86 anos, visitou a SBB em sua nova Sede em Barueri, e ficou sabendo que havia um Kerr trabalhando no escritório, fez questão de me conhecer pessoalmente e vibrou ao saber que eu era neto do Rev. William Kerr, seu professor de hebraico no seminário. Voltou mais uma vez  alguns meses depois e me trouxe um presente de Natal. Faleceu com quase 90 anos.

Até hoje tenho na memória a alegria demonstrada pelo Rev. Rodolfo e dos breves minutos em que contou histórias do seu tempo de estudante e sua admiração pelo mestre querido.

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Espalhando o sal 15 – “Pedro Feliz”

11 Novembro, 2008 · Deixe um comentário

O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor e o Seu poder e as maravilhas que fez.” Salmo 78:3,4

Frederick Glass, era inglês, nasceu em 1870, faleceu no Rio de Janeiro com 90 anos.

Em 1892 veio ao Brasil por intermédio de uma companhia britânica, trabalhando para mineração S. João Del Rei, na cidade de Morro Velho/MG.  Logo em sua chegada, Glass é  preso acusado de participar de revolta. Fica uma noite na prisão. Este evento iria marcar sua vida para sempre. Solto no dia seguinte, Glass começa a trabalhar em MG.

O tempo passou, quase dois anos, e através de um canadense, Reginald Young, Glass deixa de ser um “frequentador de igreja” e se torna em colportor. Apesar de conhecer a Bíblia desde de criança e de ter sido um “cristão social”, até ali sua vida era sem forma e vazia, a igreja era semelhante a um clube semanal de encontro com amigos.  Como colportor, Glass entra para Sociedade Bíblica Britânica e logo depois para agência missionária Help for Brazil que em 1911 se funde com a UESA (União Evangélica  para America do Sul). Help for Brazil, como já dissemos anteriormente foi fundada por Sarah Kalley, Hudson Taylor, James Fanstone e outros.

Durante sua vida de colportor morou em Vila Boa de Goias(antiga capital do estado de GO), Garanhuns/PE, São Paulo e Rio de Janeiro, mas suas viagens foram inúmeras, não só nas cidades, mas também em aldeias de índigenas, chegando inclusive a apreender algumas línguas indígenas.

Quando chegava a uma cidade Glass tinha o hábito de visitar as cadeias, falando não só aos presos mas também aos soldados. Em 1902, em uma de suas viagens, chega a capital de Goias, Vila Boa de Goias. Na visita que faz a cadeia local, vende uma Bíblia a Pedro Felix Alves, (detalhe: Pedro não sabia ler), que tinha recebido uma sentença de 30 anos por roubo seguido de morte. Embora fosse inocente, o sujeito que realizou o crime, havia morrido impossibilitando a inocência de Pedro, ele estava preso desde 1887.

Em 1904 volta a capital de Goias, desta vez para montar o escritório de colportagem. Lembrando de sua visita a cadeia, retorna ao local e fica sabendo que Pedro aprendera a ler, e pregava o evangelho aos presos.

Glass reside por dois anos no local e visita regularmente Pedro, a quem chamava de Pedro Feliz, que estava sempre sorrindo. Ao deixar a cidade em 1906, a primeira igreja Evangélica estava criada, os primeiros membros eram cinco soldados e três prisioneiros. Pedro, recebeu o perdão do Governador de Goias, algo muito raro na época, e foi eleito diácono da igreja.

Anos mais tarde, Glass foi convidado para cerimônia de batismo do filho de Pedro Feliz. Muitas outras igrejas nasceram ao redor daquele polo, através do trabalho ods colportores liderados por Glass.

O irmão de Glass, quando conheceu suas histórias decide vir ao Brasil (ele morava na Nova Zelandia) e passa a fazer companhia a seu irmão. Entre as tribos visitadas, destaca-se as visitas aos Carajás e Carijós.

Frederick Glass tem dois livros escritos, Adventures with the Bible in Brazil (1914) e Through Brazilian Junglelands wiht The Book (1920). Para quem quer conhecer boas histórias da colportagem, é uma leitura deliciosa.

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Espalhando o sal 14 — Rio abaixo

4 Novembro, 2008 · Deixe um comentário

Começo com duas narrativas de trabalho de colportores anônimos.

Pelo menos duas igrejas no nordeste do Brasil tiveram início semelhantes:

1- Piauí

Esse relato feito por Richard Sturz, conta como uma simples leitura da Bíblia, que havia sido retirada do rio Parnaiba, quando o padre da cidade de Uruçui decidiu jogar no rio todas as Bíblias que foram adquiridas por seus paroquianos. O ano da história está entre 1910 e 1920. Aconteceu que um colportor (só Deus sabe do seu nome) passou pela cidade de Uruçui, Piauí, vendendo Bíblias. Quando o sacerdote local descobriu que algumas pessoas tinham comprado, ele convocou a todos e exigiu que as Bíblias fossem entregue a ele. O padre se comprometeu a fornecer Bíblias católicas para aqueles que compraram do colportor um exemplar. No entanto, isso nunca foi feito.

Após recolher todas as Bíblias o padre lançou os livros no rio Parnaiba. Alguns kms rio abaixo, alguns homens estavam nadando e viram um objeto flutuando. Um deles recolheu uma Bíblia. Levou para casa e secou. Porém, nem ele nem os outros adultos na pobre localidade sabiam ler. O que estaria escrito no livro que chegou flutuando?

Havia uma jovem, cerca de 12 a 13, (também não conhecemos seu nome) que sabia ler, e foi assim que um grande número de adultos se reuniam durante a noite e, a menina começou a leitura daquele livro, a partir do Gênesis.
Alguns meses depois o Pastor Jonas B. Macedo, que tinha uma igreja a 500 km dali, passa pela cidade de Uruçui e resolve pregar na praça. Foi convidado a se retirar mas falaram que numa localidade perto dali havia pessoas que “falavam” igual a ele. Jonas Macedo chegou na localidade e … resumindo … fundou a primeira igreja Batista em Uruçui.

2- Bahia

Faço um resumo do que foi relatado pelo Pastor Adventista, Plácido da Rocha Pita, escrito em suas memórias em 1947, e publicada no livro “Por que mudei de exército”,  pela Casa Publicadora Brasileira, Santo André/SP 1985.

Na cidade de Santa Maria de Vitória, em 1908, um desconhecido, um colportor vendeu 8 Biblias,  apesar de ser na versão de Figueredo e inclusive ter o carimbo da Igreja Católica, Imprimatur, o padre recolheu todos livros e jogou no rio Corrente, afluente do S. Francisco, próximo a cidade conhecida como Porto Novo. Um barqueiro que carregava rapadura viu o padre jogar no rio os livros e pensou consigo mesmo: “Devem ser livros perversos, o santo padre está jogando no rio”.

O barqueiro terminou seu trabalho à noite. Quando o dia começou, soltou seu barco sobre as calmas águas claras do rio Corrente. Duas léguas abaixo, o barqueiro viu um embrulho no fundo raso do rio e com o remo empurrou com força o livro embrulhado para margem. A força da “remada” molhou uma parte do livro e após secar, as folhas ficaram enrugadas, depois de seco o “defeito” no livro fazia com que ele se abrisse sempre no mesmo local, capítulo 20 de Êxodo.

O livro foi dado ao cunhado de Plácido,  Joaquim Matos, muitos vieram ler o misterioso livro, todos começavam a leitura pelas páginas enrugadas, os 10 Mandamentos. Foi formada uma comunidade adventista, que recebia visitas pastorais a cada 4 ou 5 anos, e assim foi até 1947 quando finalmente foi designado um pastor para localidade

O escritor deste relato, Pastor Pita, deixa uma grande interrogação de como seria possível o livro descer o rio por duas léguas durante a noite, e somente na hora em que foi retirado bruscamente com o remo é que tem suas páginas molhadas. A próposito, o colportor nunca retornou aquela localidade.

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Espalhando o sal 13 — 50 anos em 1

3 Novembro, 2008 · 1 Comentário

Nascido nos EUA, o pastor da Igreja Metodista Daniel Kidder morou no Brasil antes da chegada de Fletcher em 1848 ( Kalley em 1855). Era representante da Sociedade Bíblica Americana. Quando aqui chegou em 183, não havia sido escrita a encíclica de Pio IX, e os ânimos contra a distribuição das Escrituras Sagradas não estavam ainda exaltados. Para dar início ao seu trabalho Kidder publicou em 12 de dezembro de 1837 um anúncio no “Jornal do Comércio”, em São Paulo, que dizia:
“Vende-se por 1$000 [um mil réis], na rua Direita, n° 114, o Novo Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, traduzido pelo Ver. Padre Antonio Pereira de Figueiredo. Este livro é muito recomendável a todos os mestres e diretores de aulas e colégios do Império do Brasil, para o adotarem como livro de instrução para os seus alunos, porque nele se acha o tesouro mais precioso que o homem pode exigir neste mundo. Ele é a fonte de luz, a fonte da moral, a fonte de virtude, a fonte de sabedoria”.

Kidder não obteve muito sucesso comercial. Viajou durante 3 anos por todo o território nacional, levava uma pequena quantidade das escrituras, algumas eram vendidas, outras eram doadas. Esse era o trabalho de um colportor, não apenas distribuir um produto comercialmente, é bem mais que isso, era propagar as idéias, e, se necessário for, doar o produto.

Como resultado de suas viagens e observações dos costumes do povo, da cultura, da arquitetura e da geografia de nosso país, Kidder escreveu dois livros que vieram a se tornar muito conhecidos no Brasil e no exterior. O primeiro foi “Sketches of Residence and Travel in Brazil” (em dois volumes, 1845), no Brasil foi traduzido como “Reminiscência de viagens e permanência nas províncias do norte do Brasil”. Mais tarde, em 1865, escreve junto com Fletcher “Brazil and the Brazilians Portrayed in Historical and Descriptive Sketches“, traduzido com o título de “Brasil e os Brasileiros (esboço histórico e descritivo)”.

Kidder pregava o Evangelho quando havia oportunidade durante suas viagens, entre outros registros, há um da conversão de um família de Campinas em 1838, quando passou por aquela região, no entanto em termo de quantidade das escrituras distribuídas, sua ação foi limitada.

Segundo o levantamento de João Gomes da Rocha, autor da obra “Lembranças do Passado”, e baseado nos relatórios das Sociedade Bíblicas Americana e Britânica, de 1804 até a chegada de Kalley em 1855, a Sociedade Bíbílica Britânica enviou 2.500 escrituras (Bíblias e Novos Testamentos) ao Brasil, sendo que uma parte delas era em alemão e inglês. A Sociedade Bíblica Americana teria enviado 1.500 escrituras nesse mesmo período.

Com a chegada das famílias de madeirenses, em 1856, e com a necessidade de dar alguma atividade comercial aos três chefes de famílias, Kalley adquire junto a Sociedade Bíblica Britânica um bom volume das Escrituras, e Francisco da Gama, Francisco de Sousa e Manuel Fernades se tornam colportores no Brasil.

O preço de cada Bíblia era em torno de 2$000 réis, ou dois mil réis, o Novo Testamento, em torno de 400 réis. Como comparação temos o preço da saca de café, 60 Kg, em torno de 18$000 réis, e um café nos botecos da capital custava em torno de 40 réis (10 cafezinhos equivaliam a um Novo Testamento). Um livro comun custava nas livrarias do Rio de Janeiro entre 1 e 2 mil réis, mas tinham em geral, um número bem menor de páginas do que a Bíblia completa.

Em relatório feito por Francisco da Gama, em 1862 e contabilizado por João Gomes da Rocha, no capítulo II do primeiro volume de sua obra (Lembranças do Passado), em 5 anos de colportagem patrocinada por Kalley, foram distribuídos mais de 20.000 Escrituras. A propósito, o número de colportores começou com 3, mas cresceu rapidamente conforme iam ocorrendo as conversões. Os primeiros eram ligados a Kalley, mais tarde com a chegada de Simonton, em 1859, essa prática cresceu ainda mais rapidamente. As histórias relatadas pelos colportores são impressionantes, algumas foram contadas em publicações recentes, mas infelizmente, pouco divulgadas.

No próximo texto, vou reproduzir alguns relatos da saga dos colportores, mas para terminar o capítulo de hoje, destacamos que entre os indicadores mencionados, nos primeiros 5 anos de Kalley junto aos colportores (iniciando em 1856), as Escrituras que foram distribuídas em nossa pátria somaram 5 vezes mais do que as que foram enviadas ao Brasil nos primeiros 50 anos de existência da Sociedade Bíblica Britânica (e 40 anos de existência da Sociedade Bíblia Americana).

No avanço do Evangelho e distribuição das Escrituras Sagradas, em média, foi feito em 1 ano, mais do que foi feito nos primeiros 50 anos do sec. XIX

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Espalhando o sal – 12 — Ano da Bíblia

29 Outubro, 2008 · Deixe um comentário

Em 2008, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) está comemorando o Ano da Bíblia.  ( http://www.sbb.org.br/anobiblia2008 )

Durante o ano de 2008 uma série de eventos estão celebrando 60 anos da criação da SBB e 200 anos que a Inglaterra começa a produzir A Bíblia em português.

A partir de 1810, D. João VI autoriza a construção de igreja protestantes no Brasil, desde que não tivessem aparência externa de igreja. Nesses locais os estrangeiros poderiam se reunir regularmente.

Ainda no início do sec XIX, tem início os movimentos missíonários, a expansão do modelo da Escola Dominical e a criação da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira em 1804, com a missão de tornar mais fácil o acesso as escrituras sagradas. Embora a Sociedade Bíblica Britanica seja considerada a primeira organização dessa natureza a ser criada, antes de 1804 já havia uma Sociedade Bíblica na Alemanha e durante a uns poucos anos houve  uma na França, com o mesmo propósito, mas a organização da França enfrentou o conturbado ambiente politico-sócio-econômico do fim do sec XVIII e fechou suas portas.

No Brasil, em 1805, Henry Martin estava a bordo de um navio que fez um “pit-stop” na Bahia, para reabastecimento, em sua primeira viagem missionária para oriente. Na Bahia Henry se admira da grande quantidade de igrejas na cidade de Salvador, embora com pouco tempo terra constatou a falta de Cristo na vida do povo. Henry travou alguns debates teológico com religiosos locais mas prosseguiu sua viagem. Se tornou um grande tradutor da Biblia, trabalhando na India e viajando pelo oriente até sua morte precoce em 1812, aos 31 anos de idade.

As impressões de nosso país foram marcantes para aquele jovem missionário. Henry escreveu um relatório descrevendo o tamanho de nosso território e desafiou a ceifeiros para virem a tão grande seara. Esse relatório, mais de 40 anos depois, certamente foi lido pelo pastor presbiteriano Rev. James Fletcher(Kalley menciona trechos escritos por Henry em um de suas cartas)  

Outro pioneiro foi Daniel Kidder, pastor metodista contemporâneo de Fletcher. Kidder escreveu um livro sobre suas viagens pelo Brasil, também esse livro foi lido por Kalley.  Tanto Kidder como Fletcher fizeram distribuição de escrituras no Brasil, embora de forma esporádica, ou seja, viajavam muito, e aproveitaram para distribuir pequenas quantidades de Bíblias, Novos Testamentos e porções bíblicas.

Fletcher escreve em 1853 solicitando a Sociedade Bíblica Americana que enviasse algumas famílias de Madeirenses para ajuda-lo no Brasil. Esse pedido chega a Kalley, que inicialmente recusa.

Em  janeiro de 1855 Kalley, que já tinha lido o livro de Kidder e provavelmente o relatório de Henry Martyn, decide vir ao Brasil.

A partir da chegada de Kalley e do convite as três famílias de madeirenses em 1856, o trabalho de evangelismo, Escola Dominical, fundação de Igreja protestante para brasileiros e o trabalho dos colportores, tem um carater metódico, contínuo e planejado. Logo depois chegam os presbiterianos, os batistas, metodistas, etc.. com a mesma visão, o de trabalho permanente e contínuo.

No próximo texto alguns dados sobre o trabalho dos colportores.

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Espalhando o sal – 11 — Doce presença

22 Outubro, 2008 · 4 Comentários

Em agosto, como já foi contado, foi o mês que minha avó Elaine da Gama, aos 90 anos, bisneta de Francisco da Gama, nos deixou. Foi depois de uma longa batalha (afinal era uma mulher da Gama), batalha tal como foi de Helena, sua mãe. Umas das especialidades de Elaine eram seus doces, avós costuma ter esses poderes mágicos, com sua partida minha irmã Lucia comentou que o “mundo ficou menos doce.”

Durante esse tempo que não voltei ao blog, li mais histórias, todas merecem ser contadas, mas sempre que pensava em começar um texto era a mesma coisa, o dia começava antes que o anterior tivesse terminado, e o resto de tempo, que já é curto e precioso, foi desperdiçado, as vezes até em reclamar e se lamentar de não ter tempo.

Continuo de onde parei em julho, com William Kerr se casando em Sorocaba com Aurora de Campos.

Foram vários anos de pastorado, em Sorocaba, na igreja do Brás, em São Paulo, e no auxílio ao Presbitério em outras localidades. Tenho vários resumos dos sermões que William preparou, e embora as anotações sejam composta de referências bíblicas e tópicos do assunto, a forma como William anotava e o padrão uniforme de sua exposição e argumentação mostram sempre o desejo claro e objetivo de pregar o evangelho.

Em 1930 assume a cadeira de hebraico no Seminario de Campinas. Começa a preparar a primeira Gramática da língua hebraica,  em português. Essa obra levaria mais de 15 anos para ser publicada. Quando conseguiu publicar, foi patrocinada pela da Sociedade Biblica Americana. Não havia equipamento gráfico que pudesse imprimir texto em hebraico no Brasil na época.  A própria montagem do livro foi lenta e com a participação da família. Aurora fazia a revisão do português, durante algum tempo o seu filho mais novo, Lysias, colocava as letras do alfabeto hebraico desenhada na mesa, pendurada na parede, ou quando as frases eram muito compridas, no chão de sua casa,  outro filho mais velho, Neander, tirava fotos com a máquina fotográfica que tinha comprado na Italia, durante a segunda guerra mundial. Lysias ainda sabia de cor o alfabeto hebraico mais de 30 anos depois dessas aventuras de criança. Assim foi feita a composição dos textos que seriam levados para Nova York na montagem final do livro. 

Nessa época, 1940-1950, foi membro da comissão criada pela Sociedade Biblica Americana (a Sociedade Bíblica do Brasil só veio a ser criada em 1948) para fazer a revisão do texto conhecido como Tradução Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida. Eessa comissão trabalhou por mais de quinze anos e produziu a versão conhecida como Tradução Revista e Atualizada de JF Almeida. William era um dos especialistas em hebraico. Outro integrante era o Rev. Galdino Moreira, seu companheiro de escola em Lavras. 

Uma nova revisão to texto da Revista e Atualizada foi feita nos anos de 1990, logicamente com uma outra comissão de especialistas, basicamente para atualizar o português,  se chamou de Revista e Atualizada segunda edição.

William se destacou como mestre, foi admirado por muitos alunos que se tornaram mestres, se destacou como pastor, muitas de suas ovelhas tinham especial prazer em conhecer seus descendentes quando ouviam o nome Kerr. Embora não tenha conhecido o avô William, pelas histórias que já ouviu de meus tios e primas, como pai e avô, ele era uma doce presença.

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Sal a gosto, em agosto

4 Agosto, 2008 · 1 Comentário

Agosto fez diferença para igreja evangélica no Brasil, e em particular para minha família, é um mês com muitas histórias e fatos marcantes.

Os eventos a seguir ocorreram em agosto:

Em agosto de 1829, Kalley se forma médico na Escócia.

Dia 2, em1846, é iniciado uma série de ataques e perseguições violentas aos evangélicos na Ilha da Madeira, culminado no dia 9 com o incêndio da casa de Robert Kalley.

Dia 6, em 1691, falece João Ferreira de Almeida, tradutor da Bíblia para o português, missionário da igreja reformada holandesa.

Dia 6, em 1856, chegam no Rio de Janeiro, vindo dos EUA, as três famílias dos Madeirenses Exilados, entre eles Francisco da Gama e sua família.

Dia 6, em 1867, nasce Salomão Ginsburg.

Dia 6, em 1955, Lysias e Norma se casaram.

Dia 8, em 1907, falece Sarah Kalley em Edimburgo.

Dia 10, em 1936, nasceu Norma

Dia 10, em 1856, Kalley realiza a primeira Santa Ceia, na casa de Francisco da Gama, com a presença dos madeirenses que atenderam o chamado de vir ao Brasil.

Simonton chega ao Brasil em 1859, no dia 11, e desembarca no dia 12, no Rio de janeiro.

Dia 11, em 1888, nasceu William Kerr.

Dia 19, em 1855, Kalley e Sarah realizam a primeira reunião da Escola Dominical no Brasil, na cidade Petropolis.

Dia 27, em 1906, falece Rev. João daGama, irmão de Francisco da Gama.

Dia 29, em 1859, após um longo processo, Robert Kalley é autorizado a exercer a medicina no Brasil.

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